Moscou – Galeria Tretyakov

Os posts sobre a nossa viagem à Rússia e a nossa “maratona” moscovita estão terminando, provavelmente ainda haverá mais uma ou duas postagens sobre Moscou (Kremlin e Convento Novodevichi) e, assim, finalizarei o relato sobre a jornada no maior país da Terra.

Todavia, não poderia deixar de fora talvez o principal museu de arte russa que existe no mundo, a Galeria Tretyakov (Государственная Третьяковская Галерея) – é bem verdade que este título é disputado com o Museu Russo, em São Petersburgo, cada site, guia, livro, ora “puxando a brasa para a sardinha” de um, ora para a de outro.

Galeria Tretyakov - prédio principal - Moscou - fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/museum/branch/root55716141615/

Galeria Tretyakov – prédio principal – Moscou – fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/museum/branch/root55716141615/

Tanto a mansão em que foi instalado o museu, quanto as obras que guarnecem o seu interior, foram legadas à DUMA (o órgão que corresponde ao Poder Legislativo na Rússia) moscovita pelo seu antigo proprietário, Pavel Tretyakov (Павел Третьяков), ao final do século XIX. Tratava-se de um rico industrial que consagrou sua vida a colecionar obras de arte, principalmente de artistas russos. Seu intuito consistia na aquisição de obras representativas da arte de seu país, bem como aquelas que mostrariam as novas tendências que viriam surgindo à medida que o tempo passava.

Pavel Tretyakov - por Ilya Repin - Galeria Tretyakov - Moscou. Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/3661

Pavel Tretyakov – por Ilya Repin – Galeria Tretyakov – Moscou. Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/3661

Ao contrário do que geralmente ocorre com os colecionadores de arte, que, de um modo geral investem na sua coleção para deleite próprio (além de ser uma forma interessante de se capitalizar), e depois a legam / doam por inteiro a uma instituição, de modo a impedir que seus herdeiros dilapidem o trabalho de uma vida, vendendo separadamente cada obra, em uma sanha argentária, Pavel Tretyakov sempre teve em mente tornar a sua coleção acessível do grande público. Logo, nada mais natural que a sua doação para a DUMA de Moscou.

Eu mencionei que a nossa visita a Moscou foi um tanto quanto corrida. A cidade possui dois museus tradicionais de arte, que, tenho para mim, deveriam ser de visita obrigatória para todos os passantes pela cidade. O primeiro é o Museu Estadual de Belas Artes Púchkin, que abriga arte de todas as nacionalidades, e o outro é a Galeria Tretyakov. Como a nossa visita à cidade foi realmente feita a “galope em cavalo brabo” e como queríamos tempo para efetivamente flanar por Moscou, sem nos preocuparmos com horário, tivemos que optar pela visita de somente uma dessas instituições. A escolha pela Galeria Tretyakov nos pareceu óbvia, pois a possibilidade de ver quadros das Escolas Francesa, Italiana, Holandesa, Flamenga… é possível em qualquer parte da Europa e do mundo, ao passo que apreciar as obras dos mestres russos é quase uma exclusividade de quem visita este país de dimensões continentais.

Mais uma vez aqui, nós compramos o livro do museu e não tiramos fotos de nenhuma das obras, por tal razão, selecionei as que mais me impressionaram no próprio site da Galeria Tretyakov e postarei aqui.

V. Borovikovski - "Retrato de Maria Lopukina" - Galeria Tretyakov - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/403

V. Borovikovski – “Retrato de Maria Lopukina” – Galeria Tretyakov – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/403

Esse quadro merece uma explicação um pouco mais detalhada, que põe por terra toda e qualquer alegação de antipatia e da má vontade por parte dos russos. Nós estávamos observando o quadro, em nossas mãos estava o encarte de explicação da própria sala do museu em língua francesa, quando se aproximou de nós uma senhora que fazia a fiscalização do museu. Ela perguntou de onde éramos, ao que respondemos “Brasil” e indagou: “pa-rusky?”, para sabermos se falávamos o único idioma de seu conhecimento, ao que respondemos “English and Français”, o que não serviu de muita coisa. Mesmo assim a senhora resolveu nos prestar explicações sobre a obra de arte, informando que, como o Louvre possui a “Mona Lisa”, a vedete da Galeria Tretyakov era aquele quadro. Acompanhando  e comparando as explicações da fiscal com o que estava redigido no panfleto, pudemos, mais ou menos, compreender que o belíssimo retrato era considerado o ideal de beleza feminina na época em que foi pintado, no fim do século XVIII, época do sentimentalismo, e que a rosa murcha representa a fragilidade da beleza da juventude. A senhora disse muito mais coisas, das quais não percebemos praticamente nada, mas a achei de uma simpatia e gentileza tão impactantes. Algo assim jamais aconteceria em outro grande museu do mundo.

I. Repin - "Ivan, o Terrível, e seu filho na noite do dia 16 de novembro" - Galeria Tretyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/210

I. Repin – “Ivan, o Terrível, e seu filho na noite do dia 16 de novembro” – Galeria Tretyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/210

Esse talvez seja o quadro mais famoso do museu e, para mim, a pintura mais impactante da escola russa em geral. Ele representa o czar Ivan IV, o Terrível, no dia em que, em um acesso de fúria, atingiu a cabeça de seu único filho com seu cetro, matando-o e deixando o Império sem herdeiros. Esse quadro foi pintado por Ilya Repin na época do atentado que culminou com a morte do czar Alexandre II (em cujo local foi construída a Catedral do São Salvador Sobre o Sangue Derramado, em São Petersburgo, que descrevi aqui), sendo que a morte do chamado “bom czar” serviu de estopim para uma fase mais sangrenta de sua pintura.

M. Shibanov - "A Celebração do Contrato de Casamento" - Galeria Tretyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/437

M. Shibanov – “A Celebração do Contrato de Casamento” – Galeria Tretyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/437

G. Groot - "Retrato da Imperatriz Elisabeth Petrovna com um pájem árabe" - Galeria Tratyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/408

G. Groot – “Retrato da Imperatriz Elisabeth Petrovna com um pájem árabe” – Galeria Tratyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/408

K. Bryullov - "A Amazona" - Galeria Tretyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/123

K. Bryullov – “A Amazona” – Galeria Tretyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/123

A. Ivanov - "A aparição do Cristo para o povo" - Galeria Tretyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/144

A. Ivanov – “A aparição do Cristo para o povo” – Galeria Tretyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/144

A. Ivanov - "Na Costa do Golfo de Nápoles" - Galeria Tretyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/142

A. Ivanov – “Na Costa do Golfo de Nápoles” – Galeria Tretyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/142

V. Perov - "Retrato de Fiódor Dostoievski" - Galeria Tretyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/206

V. Perov – “Retrato de Fiódor Dostoievski” – Galeria Tretyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/206

V. Pukirev - "O casamento desigual" - Galeria Tretyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/157

V. Pukirev – “O casamento desigual” – Galeria Tretyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/157

V. Surikov - "A Boyarina Morozova" - Galeria Tretyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/218

V. Surikov – “A Boyarina Morozova” – Galeria Tretyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/218

V. Kandinsky - "Moscou, a Praça Vermelha" - Galeria Tretyakov - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/374

V. Kandinsky – “Moscou, a Praça Vermelha” – Galeria Tretyakov – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/374

Y. Pimenov - "A Nova Moscou" - Galeria Tretyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/355

Y. Pimenov – “A Nova Moscou” – Galeria Tretyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/355

A. Deyneka - "Futuros Pilotos" - Galeria Tretyakov - Moscou - Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/335

A. Deyneka – “Futuros Pilotos” – Galeria Tretyakov – Moscou – Fonte: http://www.tretyakovgallery.ru/en/collection/_show/image/_id/335

O museu é muito completo, possui ainda Malevich, Perov, Ghe, Vrubel… Eu considero realmente um must see de Moscou. Além do mais, de todos os museus típicos do país, esse é o melhor adaptado. Tem um bom restaurante, com ótimas instalações – e serviço sofrível -, onde comemos um pelmeni (uma espécie de ravióli russo), que estava muito bom; possui sofás e cadeiras em todas as salas e tem uma boa acessibilidade.

Só aconselho a irem descansados ao museu. Nós fomos após a visita do Kremlin, onde gastamos um tempo muito grande visitando o Arsenal (que eu achei uma bobagem, mas isso fica para outro post) e as incríveis catedrais construídas dentro da fortaleza (também um must see), mas chegamos na Galeria com tempo contado e exaustos (em muitos momentos, eu queria deitar num cantinho e tirar uma soneca). Eu realmente gostaria de voltar ao museu para vê-lo com o tempo que ele merece!

Outra coisa que desaconselho é o de retornar a pé da Galeria. Nós achamos que seria um passeio agradável caminhar pela cidade até a Praça Vermelha, atravessando o rio Moscou. O passeio em si pode até ser legal, mas é uma distância considerável, as pontes do rio Moscou não são de fácil acesso para pedestres, não tem muito lugar onde parar e a margem do rio é inóspita, lembra a Marginal Pinheiros ou a Tietê (por sinal, Moscou é uma das poucas capitais europeias em que o passeio pela margem do rio que a corta não é algo particularmente agradável, a única outra cidade que conheci com essas características foi Viena, o Danúbio não é azul – e eu, criança, acreditava na valsa – e a região do Donau é medonha). É mais fácil ir de metrô ou pedir um taxi.

Endereço: 10, Lavurshinsky Pereulok (Лаврушинский переулок), as estações de metrô mais próximas são: Tretyakovskaya (Третьяковская), Polianka (Полянка) ou Novokustnetskaya (Новокустнетская). O museu fica aberto todos os dias de 10:00 às 18:00, nas quintas e sextas-feiras a Galeria fecha às 22:00. Fechado às segundas-feiras.

É importante salientar que existe também a Nova Galeria Tretyakov, que fica também na margem sul do rio Moscou, e que abriga obras de artistas russos contemporâneos. Não deu para ir. Fica para a próxima!

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Moscou – vamos brincar de Pussy Riot?

Fiquei numa tremenda dificuldade em escolher um título para este post. Se, por um lado, eu acho a política autoritária de qualquer religião ou governo algo absolutamente desprezível, por outro, eu gostaria de esclarecer que também não concordo com a forma de manifestação das meninas do Pussy Riot, mesmo que seus ideais possam ser interessantes. Inclusive, na minha opinião, fazer baderna dentro de uma igreja não é dos atos mais maduros… Só que a pena de reclusão que as mulheres receberam pela má conduta foi excessiva, o que as colocou realmente no centro da discussão mundial, com um olhar crítico às liberdades individuais na Rússia, algo que acredito que nem a Igreja Ortodoxa nem o Putin queriam. Mas, viva a “democracia”!

De qualquer modo, eu não poderia deixar de fazer o meu chiste ao relatar a nossa visita à Catedral do Cristo Salvador (Храм Христа Спасителя), a principal do Patriarcado de Moscou e, consequentemente, da Igreja Ortodoxa Russa.

Confesso que, ao planejar a viagem, lendo guias e pesquisando blogs, eu havia colocado um ponto de interrogação nessa atração, pois se trata de uma réplica da igreja original, aí fiquei imaginando algo de gosto duvidoso… Sempre que eu penso em construções religiosas “modernas” me vêm à mente templos cafonas como as catedrais das igrejas evangélicas, a Basílica de Nossa Senhora de Aparecida, as Igrejas da Ressurreição e da Matriz da Nossa Senhora de Copacabana… Mas realmente o que mais adentra o meu pensamento é a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de mesmo nome, no Estado de São Paulo. Igreja enorme, medonha por fora, mas cujo interior me agrada…va, isso, me agradava! Era sóbrio, feito em tijolinhos, sem grandes interesses, mas não agredia os meus olhos. Pois bem, da última vez em que lá estive – e isso deve fazer uns 6 anos pelo menos, ao retornar de um carnaval em Cunha (SP) – eles estavam adornando o interior com uns azulejos de cerâmica laranja, transformando um dos transeptos da igreja em algo que me lembrou um imenso banheiro. Gente! Cadê o bom gosto da Igreja Católica? Deve ter ficado no século XIX…

Ainda bem que estava enganado e que fui visitar a catedral russa.

Catedral do Cristo Salvador - Moscou

Catedral do Cristo Salvador – Moscou

A igreja em si possui uma história bastante interessante e conturbada. Sua construção durou mais de quarenta anos e foi ordenada pelo Czar Alexandre I, em homenagem aos soldados russos mortos na Primeira Guerra Patriótica, vencida contra o Imperador francês Napoleão I, no início do século XIX.

Ela acabou se tornando a maior igreja ortodoxa do mundo – acredito que ainda o seja – e, assim, também um importante símbolo para a Monarquia Absolutista que comandava o Império Russo. Da mesma forma, apesar de a sede do Patriarcado de Moscou ficar, em tese, na cidade de Sergiev Posad (uma das cidades do chamado “Anel de Ouro”, nos arredores da capital, que não deu para conhecer), na prática, o Patriarca comanda sua diocese desta Catedral, transformando-a no centro de fato da religião no país (por isso, inclusive, que o Pussy Riot a escolheu como cenário para as suas estripulias).

Nesse contexto, quando os bolcheviques tomaram o poder, a Catedral do Cristo Salvador acabou se tornando uma espécie de “pedra no sapato” dos líderes comunistas, pois além de ser uma afronta aos ideais ateus pregados pelo regime (amém!), também era uma reminiscência da decadente era imperial. Assim, Taváritch Stalin, em seu plano de reformulação e reestruturação da cidade de Moscou – diga-se de passagem, muito parecido como aquele implementado pelo Hitler para tornar Berlim a Haupstadt des Welt (Capital do Mundo), confirmando a minha ideia de que os regimes totalitários, pouco importando a sua orientação esquerdista ou direitista, se assemelham -, decidiu demolir a catedral, dinamitando-a no início da década de 1930.

Implosão da Catedral do Cristo Salvador - Moscou - início da Década de 1930 - Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Catedral_de_Cristo_Salvador

Implosão da Catedral do Cristo Salvador – Moscou – início da Década de 1930 – Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Catedral_de_Cristo_Salvador

Em seu lugar, ele planejava construir a mais alta das “Sete Irmãs” (os arranha-céus do Stalin, que eu expliquei aqui): o “Palácio dos Sovietes”.

Segundo li, seria uma edifício de mais de cem andares em cujo topo erigiriam uma estátua gigantesca do Lênin (imagino o que não seria!!!!).

Só que esse “sonho” acabou não se tornando realidade. E aqui você encontra várias teorias que justificam o abandono da pretensão megalômana soviética. Pela versão alardeada pelas potências capitalistas, faltou dinheiro aos soviéticos, além de que o processo de modernização de Moscou teve que ser pausado por conta da deflagração da Segunda Guerra Mundial. Já a versão soviética afirma que o terreno escolhido era pouco adequado para a construção do arranha-céu, devido à sua característica pantanosa. Acredito que os três argumentos sejam verdadeiros.

O que não se comenta muito é que, de fato, por conta da Guerra Fria e da ameaça das potências ocidentais – pois é, não eram só os “vermelhos” que impingiam medo ao mundo, convém lembrar (só para dar um exemplo, os EUA posicionaram mísseis nucleares na Turquia, mirando o território russo e ucraniano, o governo americano praticou atos terroristas em Cuba… Não que o governo soviético fosse bonzinho, muito longe disso…, mas vamos tentar ser imparciais) – a URSS se viu obrigada a investir maciçamente na indústria bélica, em detrimento de uma série de outras contingências que poderiam causar mais bem estar à população, inclusive na produção de bens de consumo. Enfim, mas isso é uma outra discussão… O que eu quero dizer é que, independentemente de qualquer convicção política, o povo tem direito à autodeterminação, contanto que não existam abusos, se houve um movimento, uma revolução que modificou o regime político de um determinado país, essa opção popular tem que ser respeitada, o que não ocorre na prática.

Retornando à história, como o arranha-céu não foi edificado, no lugar de suas fundações foi construída a maior piscina pública aberta do mundo, aquecida no inverno (haja coragem!). Essa situação perdurou até a queda do Comunismo, na década de 1990, quando pipocou a ideia de reconstruir a Catedral. Aparentemente havia muita disputas sobre o tema, pois o país passava por uma crise sem precedentes e gastar dinheiro com cultura parecia ser uma ideia idiota – do que eu discordo, como bem enfatizou a nossa guia, problemas sempre existirão e a arte e a cultura são essencialmente supérfluos, então, nunca haverá dinheiro sobrando para essas matérias, então investimentos culturais têm que ser feitos na cara e na coragem mesmo -, por isso foi realizado um plebiscito em que a população votou favoravelmente à reconstrução. Ainda bem!

A Catedral é um esplendor. Toda branquinha, decorada com dourarias e mosaicos. Pelo que contam, ela é idêntica à original! Mais uma vez, meus parabéns para os arquitetos e artistas russos que são os melhores do mundo em termos de reformas e restaurações. Infelizmente, fotografias são proibidas em seu interior.

Catedral do Cristo Salvador - vista da Ponte do Patriarca - Moscou

Catedral do Cristo Salvador – vista da Ponte do Patriarca – Moscou

Catedral do Cristo Salvador - Fachada Norte - Moscou

Catedral do Cristo Salvador – Fachada Norte – Moscou

No plateau da Catedral, você encontra uma vista privilegiada da capital russa.

Vista para uma das "7 Irmãs" - Catedral do Cristo Salvador - Moscou

Vista para uma das “7 Irmãs” – Catedral do Cristo Salvador – Moscou

Da Ponte do Patriarca (Патриарший мост / Patriarchy Most), tem-se a visão para a estátua de Pedro, o Grande, erguida na margem sul do rio Moscou. Nos guias, você lê que este monumento aparentemente é detestado pelos moscovitas, pelo tamanho, por ser de gosto duvidoso (eu achei estranho, mas ok, lembrem-se que eu vivo no Rio de Janeiro, que é famosa pelo Cristo Redentor, a estátua megalômana mais feia do mundo…) e pelo fato de que o czar retratado odiava Moscou. Fiz essa indagação à nossa guia, Elena, que não confirmou a celeuma, alegou, inclusive, que apreciava muito o monumento. Tirem as suas conclusões:

Estátua de Pedro o Grande - vista da Ponte do Patriarcado - Moscou

Estátua de Pedro o Grande – vista da Ponte do Patriarcado – Moscou

 Também da ponte, tem-se uma belíssima vista para o Kremlin:

Kremlin - vista da Ponte do Patriarcado - Moscou

Kremlin – vista da Ponte do Patriarcado – Moscou

Informações práticas

Nós fomos à catedral de carro com a guia, mas ela é facilmente acessível pela estação de metrô Kropotkinskaya (Кропоткиская), na linha 1 do metrô.

Fotografias são absolutamente proibidas e não mostre jamais que você está carregando uma câmera fotográfica, do contrário, você será obrigado a deixá-la em um dos armários e, segundo a guia, não era aconselhável. Essa paranoia com fotografia adveio depois do incidente com o Pussy Riot. Por outro lado, a nossa guia não cobriu a cabeça ao entrar na igreja, não sei se eles são mais relaxados com esses protocolos do que o pessoal de São Petersburgo.

Também acredito que as imediações da Catedral possam ser um lugar bastante ok para se hospedar. Além do fácil acesso, atravessando para a outra margem do rio, você chega a um complexo de restaurantes e lojas, onde antes funcionara uma fábrica de chocolates, o que pode facilitar a vida do turista (ressalto que não conhecemos esse complexo por dentro, mas por fora pareceu ser bem bacana). Fora que você ficará perto do Parque Gorki e mais próximo da Galeria Tretyakov.

Esse post ficou gigante, mas adorei redigí-l0. Intercalar experiências diferentes valeu à pena. Possivelmente a minha próxima manifestação no blog será para escrever sobre alguma outra viagem, diferente da Rússia.

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Rio de Janeiro – Chateando o Carlos Drummond de Andrade

Os posts  sobre o Brasil já estavam planejados na minha cabeça, mas resolvi dar um hiato nas postagens sobre Moscou para relatar uma singela história que me aconteceu hoje.

Estava no Posto 6, em Copacabana, procurando desesperadamente um espaço no banquinho da praia para poder sentar antes de retornar para casa. Por um milagre da vida, o banquinho em que construíram a estátua do Carlos Drummond de Andrade estava vazio – algo realmente raro. Sabendo que se trata de um “ponto turístico” da orla, eu cogitei sinceramente em procurar outro lugar para descansar as minhas pernas e os meu braços, mas não dava, estava à bout de souffle, parei por ali mesmo.

Carlos Drummond de Andrade - Copacabana - Rio de Janeiro

Carlos Drummond de Andrade – Copacabana – Rio de Janeiro

Não deu um minuto, um grupo de pessoas parou, um rapaz sentou do lado da estátua do poeta e uma das mocinhas que o acompanhava, sapecou uma foto. Logo depois, parou uma moça sozinha, que pediu para eu fotografá-la. Esclareci que não poderia me levantar, mas que não me incomodaria tirar a foto dela (ficou péssima, coitada!) e assim mais três outras pessoas, de diversos Estados da Federação, pararam para registrar seu momento ao lado do poeta, nos menos de 10 minutos que permaneci sentado.

Pois bem, a última mulher que passou foi um pouco mais desagradável e pediu para eu me levantar, o que não fiz, mas cheguei para a ponta do banco. Nisso escutei a companheira de fotografia da “modelo” indagando: “é disso que você quer tirar foto?”. Até então calado estava, mas resolvi fazer a pergunta que sempre passa pela minha cabeça todas as vezes que observo a horda de pessoas fotografando a estátua do Drummond: “Você sabe quem foi o Carlos Drummond de Andrade?”. A “modelo”, com sotaque fluminense, olhou para mim espantado e disse: “era um poeta, claro!”. Ao que eu retruquei: “você conhece algum poema ou sabe recitar um versinho do poeta?”, não obtive resposta. Resolvi seguir meu caminho mas aconselhei-a a ler Drummond e não apenas a fotografá-lo.

Antes que me acusem de esnobismo e elitismo, não sou nenhum expert  em Drummond, li pouquíssimo a sua obra, até porque gosto bem mais de outros poetas brasileiros, mas tenho uma mínima noção do que escreveu. O Poder Público poderia, pelo menos, incentivar as pessoas a conhecerem “Quadrilha” ou “No meio do caminho”, e utilizar o interesse canhestro pela estátua para divulgar a poesia do Drummond. Também não tenho nada contra a estátua (acho uma homenagem simpática ao bairro e ao poeta), só acho ridículo esse rebuliço todo em torno dela, surgido por conta da mídia na época de sua inauguração e enfatizado porque as pessoas gostavam de furtar os óculos da figura retratada. Enfim, como acontece toda hora no Brasil, perde-se uma boa oportunidade de difusão da cultura…

O Rio de Janeiro e seus bairros, inclusive Copacabana, serão objetos de outros posts, apesar do meu atual descontentamento com a cidade…

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Moscou – Мы гуляем в Москве / Nós passeamos em Moscou

Como já mencionei em posts anteriores, a viagem ficou mal planejada no tempo para conhecermos minimamente a capital russa.

Nos planos de viagem, estava previsto 4 noites na cidade, o que, em tese, significaria pelo menos 4 dias. Mas, na prática, não foi bem assim… Eu me confundi (mea culpa, mesmo), já que o último dia efetivamente não existiu, pois embarcávamos de volta para São Paulo (via Amsterdam) às cinco horas da manhã. Resultado, tivemos apenas 3 dias para passear, o que é insuficiente… Na verdade, o real título do post deveria ser “Nós galopamos por Moscou”, mas como eu não sei escrever isso em russo, contentei-me com o “nós passeamos em Moscou” (my gúliaiem v Maskvie).

Deve-se ter em mente ao planejar uma viagem a Moscou que a cidade é: (a) enorme, (b) muito arborizada (toda hora você avista um parque ou uma praça florida), (c) entrecortada por vias monumentais (seria mais ou menos, como se você tivesse várias avenidas 9 de Julio (Buenos Aires), Libertador General Bernardo O’Higgins (Santiago do Chile), Boulevard du Périphérique (Paris), 23 de Maio (São Paulo), das Américas (Rio de Janeiro), Calle de Alcalá (Madrid) se entrecortando no centro da cidade), (d) tem um trânsito infame, (e) mas é incrível e imperdível!

Por conta dessa situação, alguns lugares nós realmente só vimos de dentro do carro, como, por exemplo, o Parque da Vitória, em que se encontra o Museu da Grande Guerra Patriótica, situado nas imediações da estação Park Pobedy (de metrô). O lugar parece ser bem agradável para um passeio, com seus jardins repletos de tulipas (por sinal, algo imperdível a ser feito em Moscou é passear pelos parques), fora que o tema do museu, em si, é bastante do meu agrado, mas fomos de certa forma desencorajados pela guia a retornar outro dia, quando ela nos relatou que as informações e explicações sobre o museu estavam apenas disponíveis em russo:

Parque da Vitória - Moscou

Parque da Vitória – Moscou

Parque da Vitória - Moscou

Parque da Vitória – Moscou

Parque da Vitória - Moscou

Parque da Vitória – Moscou

Nesse mesmo dia, fomos visitar um outro ponto turístico que, a meu ver, junto com a Praça Vermelha e a Galeria Tretyakov são os pontos nodais de qualquer visita a Moscou: a Universidade Lemonosova (Universidade Estatal de Moscou). O prédio principal que a abriga é um dos arranha-céus góticos stalinistas, que foram construídos a mando do Taváritch Stalin, a partir da década de 1940, as chamadas “Sete Irmãs” (se você perguntar a qualquer moscovita o que são as Sete Irmãs, eles farão cara de ponto de interrogação; na Rússia, os edifícios são conhecidos como “Os Arranha-céus do Stalin”), para, de certa forma, fazer concorrência com os imensos prédios construídos nos EUA, notadamente em Nova Iorque.

Em frente ao prédio, fica chamada de Praça da Universidade (que nome imaginativo!), que se estende desde o belvedere (com a melhor vista para a cidade de Moscou) até a entrada principal da universidade. Ela é ladeada por bustos de personalidades russas ligadas à cultura e à educação, a começar pelo próprio Mikhail Lemonosov, que, junto com Púchkin, é considerado o pai da língua russa moderna.

Universidade Estadual de Moscou (Universidade Lemonosova)

Universidade Estadual de Moscou (Universidade Lemonosova)

Universidade Estadual de Moscou (Universidade Lemonosova)

Universidade Estadual de Moscou (Universidade Lemonosova)

Da plataforma de observação, é possível avistar toda a cidade de Moscou desde a nova city (porque o nome do centro financeiro das cidades sempre é copiado de Londres?) até as demais “cinco irmãs” (a sétima nunca foi construída) e dá para se ter uma noção clara de como a cidade é entremeada por áreas verdes. A própria região em que se situa a Universidade parece um grande parque.

City de Moscou - Plataforma de observação da Praça da Universidade

City de Moscou – Plataforma de observação da Praça da Universidade

Vista para Moscou (ao centro dá para ver uma das "Sete Irmãs", o Hotel Pekim) - Plataforma de observação da Praça da Universidade

Vista para Moscou (ao centro dá para ver uma das “Sete Irmãs”, o Prédio do Ministério das Relações Exteriores) – Plataforma de observação da Praça da Universidade

Vista para Moscou - Plataforma de observação da Praça da Universidade

Vista para Moscou (Estádio Lujniki, à direita) – Plataforma de observação da Praça da Universidade

Apenas uma última observação, com a crise econômica enfatizada pelos embargos impostos pela comunidade internacional, a city moscovita provavelmente ainda permanecerá em construção por muitos e muitos anos… Infelizmente.

Moscou

Moscou

Ministério das Relações Exteriores - uma das "irmãs" - Moscou

Ministério das Relações Exteriores – uma das “irmãs” – Moscou

Ministério das Relações Exteriores - uma das "irmãs" - Moscou

Ministério das Relações Exteriores – uma das “irmãs” – Moscou

Ministério das Relações Exteriores (detalhe) - uma das "irmãs" - Moscou

Ministério das Relações Exteriores (detalhe) – uma das “irmãs” – Moscou

Ulitsa Nóvy Arbat - Moscou

Ulitsa Nóvy Arbat – Moscou

Ulitsa Nóvy Arbat - Moscou

Ulitsa Nóvy Arbat – Moscou

Igreja Prepodobnogo Simeona Stolpnika, na ulitsa Povarskaya (do lado da Nóvy Arbat)

Igreja Prepodobnogo Simeona Stolpnika, na ulitsa Povarskaya (do lado da Nóvy Arbat)

Pri Khrame Vozneseniya Gospodnya - ulitsa Bolshaya Nikitskaya - Moscou

Pri Khrame Vozneseniya Gospodnya – ulitsa Bolshaya Nikitskaya – Moscou

O interessante da cidade é que você pode apreciar tanto prédios medievais (vide a primeira igreja acima), como do século XIX (a segunda igreja acima), além da evolução dos prédios soviéticos (acima, percebe-se claramente a mudança de conceito do prédio stalinista até aqueles construídos na era de Krushchov e de Brejnev – os dois últimos de fachada “sem graça”-, que eram meramente utilitários, sem necessidade de embelezamento exterior), até as torres de vidro modernas da city.

Na verdade, em termos de arquitetura, Moscou deveria ser um desbunde no início do século XX. Porém com a ascensão dos comunistas ao poder, foram implementadas uma série de reformas na cidade, com o intuito de adaptá-la ao crescimento como capital de uma potência comunista e, com isso, vários prédios antigos foram demolidos para dar lugar a estruturas mais modernas…

Muitos desses prédios acabaram sendo reconstruídos pós colapso soviético… Mas isso fica para outro post.

Se lamentavelmente foram perdidas algumas estruturas, este mélange entre o antigo e o moderno é que dá a Moscou uma personalidade e uma beleza únicas (ela não é uma cidade europeia, propriamente dita, ela não é parecida com nenhum outro lugar que conheci no ocidente europeu). Não há dúvida de que São Petersburgo é mais bonita, por outro lado, é uma cidade ao estilo europeu, que, ou mal ou bem, você pode ver em outros lugares. Moscou não, assim como Istambul, são cidades realmente diferentes, a despeito de estarem na Europa. O que eu quero dizer é que se você viajou para a Rússia e só conheceu Piter, fica faltando conhecer uma cidade mais russa (acredito, inclusive, que outras cidades ainda menos turísticas certamente revelarão muito mais do país).

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Moscou – A capital não é apenas a Praça Vermelha…

…mas a Praça Vermelha, meu amigo, é muito mais do que você possa imaginar!

Se eu tivesse que fazer uma lista das praças mais bonitas do mundo, pela minha ordem de preferência, no dia 28 de outubro de 2014, a lista ficaria mais ou menos assim:

1) Praça Vermelha, Moscou, Rússia;

2) Plaza Mayor, Madrid, Espanha;

3) Pariser Platz, Berlim, Alemanha;

4) Praça do Palácio de Inverno, São Petersburgo, Rússia;

5) Praça do Commércio, Lisboa, Portugal;

6) Praça Tiradentes, Ouro Preto, Brasil;

7) Place Vendôme, Paris, França;

8) Plaza de los Congresos, Buenos Aires, Argentina;

9) Place Dauphine, Paris, França;

10) Hipódromo, Istambul, Turquia.

(Obviamente poderia incluir praças em Roma, mas estive na cidade quando era muito pequeno e não lembro direito; Paris tem diversas outras praças incríveis; no Brasil, a Cinelândia e a Praça XV, no Rio, a Praça Barão de Campo Belo, em Vassouras, são também especiais).

Desde pequeno, eu tinha curiosidade em conhecer Moscou, após me deparar com uma imagem da Catedral de São Basílio em um livro de fotos com que a minha mãe havia me presenteado, quando eu devia ter por volta dos 6 anos de idade. O livro informava equivocadamente que a catedral era o próprio Kremlin, erro bastante comum, diga-se de passagem.

Catedral de São Basílio - Moscou

Catedral de São Basílio – Moscou

Catedral de São Basílio - fachada sul - Moscou

Catedral de São Basílio – Moscou

Catedral de São Basílio - Moscou

Catedral de São Basílio – Moscou

A imagem ficou no meu imaginário durante mil anos – sou milenar, lembrem-se – idealizada, ficava fantasiando o que não seria estar numa daquelas torres (infelizmente não dá para subir, pois cada uma abriga a cúpula de uma capela)… Os séculos passaram e os sonhos acabam se realizando. E aí é que vem a surpresa: a Praça Vermelha é muito mais bonita do que eu poderia imaginar. Isso me surpreendeu, porque havia visto fotos da viagem a Moscou de um amigo e a cidade, naquelas imagens, parecera um tanto quanto sem graça. Como poderia estar tão enganado! Moscou é linda e é única! A sua mais famosa praça está entre os lugares mais absurdamente impactantes que eu já conheci.

Por incrível que possa parecer, nós acabamos não entrando na Catedral de São Basílio. Antes que eu seja violentamente criticado, esclareço que não sou faço o gênero de pessoa boba que não gosta de conhecer os pontos turísticos famosos dos lugares que visita. Muito pelo contrário, acredito que se você não conhece os monumentos emblemáticos de um lugar, forçosamente, você não estará sabendo viajar. Querer conhecer lugares mainstream, frequentados pela nata da população local pode até ser interessante, mas, para mim soa apenas blasé, se você não visitou o básico. Obviamente que muitos desses marcos turísticos podem decepcionar (particularmente acho que subir a Torre Eiffel – principalmente até o último andar – uma perda de tempo, a região em que ela fica é linda, mas a subida é decepcionante, pois Paris é uma cidade de prédios baixos; a Torre de Londres é uma passeio bobo, só vale à pena se você estiver acompanhado por crianças; subir a Estátua da Liberdade também não me diz nada, embora o passeio de barco e ver a Estátua de perto seja legal; o Cristo Redentor, no Rio, eu acho um show de horrores…) e foi justamente por conta dessa possibilidade de não corresponder às expectativas, que resolvemos não entrar na Catedral de São Basílio. Li em vários blogs que ela não é tão interessante por dentro e a nossa guia nos advertiu de que a circulação interna na igreja era bastante complicada, com degraus altíssimos e irregulares, o que poderia causar problemas… Confesso que foi uma decisão difícil, mas acabamos preferindo manter a imagem fantástica do exterior da igreja e ficarmos com uma lembrança positiva do que nos decepcionarmos. Certamente, iremos numa próxima visita.

Ao contrário do que podemos imaginar a Praça Vermelha foi assim nomeada não por conta do enorme muro de tijolos vermelhos que cerca o Kremlin. Na verdade, a cor vermelha, krasni (красный) em russo, de onde advém o seu nome, Krasnaya ploshchad (Красная площадь), também é sinônimo de bonito. Esta explicação nos foi fornecida pela guia Elena Bereznikova, indicada pela agência Tchayka (de todas as guias que tivemos, era a mais experiente, francês impecável, tendo nos fornecido informações primorosas sobre absolutamente tudo – literatura, arquitetura, religião, URSS, Rússia atual -, ela é fluente em francês, espanhol e inglês, mas ela prefere não acompanhar turistas anglófilos). Acredito que a expressão não seja mais utilizada no russo atual, pois, na aula de russo e nos dicionários, ensina-se que a palavra russa para bonito é krassívi (красивый). Seja qual for a acepção, o nome está absolutamente adequado à localidade.

Praça Vermelha - Museu de História Russa (ao fundo) e o GUM (à direita).

Praça Vermelha – Museu de História Russa (ao fundo) e o GUM (à direita).

Praça Vermelha - Catedral de São Basílio (ao fundo) e o Kremlin (à direita)

Praça Vermelha – Catedral de São Basílio (ao fundo) e o Kremlin (à direita)

A Praça Vermelha é uma extensa área retangular, limitada, ao sul pela Catedral de São Basílio, ao norte, pelo Museu de História Russo, a oeste, pelo Kremlin e, a leste, pelo GUM. Além destes prédios, encontra-se em suas imediações o túmulo do Lênin (infelizmente fechado por conta do feriado do Dia da Vitória), as Portas da Ressurreição e a Catedral de Nossa Senhora de Kazan (ambas são memoráveis reconstruções, já que os edifícios “originais” foram demolidos por Stalin, na década de 30 do século XX).

Porta da Ressurreição - Praça Vermelha - Moscou

Portas da Ressurreição – Praça Vermelha – Moscou

Praça Vermelha - Museu de História Russo e Portas da Ressurreição

Praça Vermelha – Museu de História Russo e Portas da Ressurreição

Catedral Nossa Senhora de Kazan - Praça Vermelha - Moscou

Catedral Nossa Senhora de Kazan – Praça Vermelha – Moscou

Pelo que a guia nos contou, as Portas da Ressurreição (o nome é dado por conta do ícone da Ressurreição de Cristo, pendurado entre as duas portas) supostamente foram demolidas para dar passagem a tanques de guerra, durante as paradas militares, à Praça Vermelha (a ironia é que, após a sua reconstrução, em 1994-95, os tanques continuaram ingressando sem problemas no interior da Praça). A verdade é que a implosão de ambos os monumentos (portas e catedral) tem a ver com a ideologia ateia, pregada pelo Comunismo. Por mais que não compactue com religiões de um modo geral, acho de uma burrice sem tamanho a destruição de obras de arte por conta de motivações políticas ou religiosas. A reconstrução da Catedral de Nossa Senhora de Kazan, apesar de esteticamente bonita, apresenta problemas do ponto de vista histórico. Aparentemente, os soviéticos destruíram os esboços originais da igreja, então, apesar de externamente a estrutura da igreja estar correta, o seu interior é apenas muito bonito, mas não foi reconstruído em conformidade com o edifício original (inclusive não dá para saber se a iconostase é uma reprodução correta), uma pena! De qualquer maneira, recomendo sua visita (não demora muito tempo e é gratuito).

O GUM (ГУМ) atualmente é realmente um shopping de luxo. Originalmente era uma loja pertencente ao Estado soviético (o nome em russo é Государственный универсальный магазин, Gosudarstvennyi Universalnyi Magazinque significa Loja de Departamento Estatal) que vendia de tudo um pouco, roupas, comida… Confesso que fiquei um tanto quanto chocado quando adentrei seu interior. É muito sofisticado, muito bonito, mas muito caro e muito vazio. A ideia que eu possuía era absolutamente distinta. A imagem que me vinha à cabeça foi aquela passada pela escritora Zélia Gattai, em seu terceiro livro de memórias, “A Senhora Dona do Baile” (recomendo muito a leitura do livro inteiro, mas especificamente dos capítulos sobre a URSS, antes de viajar para Moscou), em que ela narra a sua experiência no GUM, onde comprou botas, casacos, chapéus e se meteu num divertido quiprocó, quando o Jorge Amado tentava comprar um pijama de mulher e era impedido por uma senhoras russas. Na minha cabeça, o GUM era um mercado popular coberto (um enorme Carrefour)… Não me decepcionei com o shopping de luxo, mas fiquei com a sensação de que estava mal vestido e não me senti confortável. Acabamos sentando no Café Armani, cujo terraço fica na Praça Vermelha, e tomamos um café caríssimo e comemos um briochinho bem burgueses. Lênin e Stalin devem se revirar nos túmulos. Nas imediações, na úlitsa Petrovka (улица Петровка), do lado do Teatro Bolshoi, existe uma outra loja de departamentos de luxo, que vende também grifes internacionais, o TSUM (ЦУМ), também caríssima e vazia.

GUM - Praça Vermelha

GUM – Praça Vermelha

Praça Vermelha - Catedral de São Basílio - vista do Café Armani

Praça Vermelha – Catedral de São Basílio – vista do Café Armani

Para encerrar este post, devo dizer que é OBRIGATÓRIO visitar a Praça Vermelha durante a noite. O visual é estonteante, o pôr-do-sol confere ao local uma atmosfera absolutamente inebriante.

Praça Vermelha - Catedral de São Basílio e Torre do Salvador (manhã)

Praça Vermelha – Catedral de São Basílio e Torre do Salvador (manhã)

Praça Vermelha - Museu de História Russo (manhã)

Praça Vermelha – Museu de História Russo (manhã)

Praça Vermelha - catedral de São Basílio (tarde)

Praça Vermelha – catedral de São Basílio (tarde)

Praça Vermelha - Mausoleu do Lênin e prédio do Senado (cúpula redonda atrás)

Praça Vermelha – Mausoleu do Lênin e prédio do Senado (cúpula redonda atrás)

Praça Vermelha - Museu de História Russo (pôr-do-sol)

Praça Vermelha – Museu de História Russo (pôr-do-sol)

Praça Vermelha - Museu de História Russo (pôr-do-sol)

Praça Vermelha – Museu de História Russo (pôr-do-sol)

Praça Vermelha - Museu de História Russo (noite)

Praça Vermelha – Museu de História Russo (noite)

A penúltima foto é o fundo de tela do meu celular! A profusão de fotografias aqui é impressionante. Por isso que eu acredito que valha à pena vir à Praça Vermelha com calma, tendo tempo suficiente para os registros fotográficos, mas também para apreciar a atmosfera do local, observar os prédios e as pessoas, verdadeiramente aproveitar… Eu poderia passar um dia inteiro ali facilmente. Gostaria de conhecê-la no inverno.

É muito bom realizar um sonho!

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Moscou – Trem, Hotel e Primeiras Impressões

Trem

Nós fizemos o trajeto São Petersburgo – Moscou de trem, via Trem Sapsan (СапСан), de alta velocidade. A composição parte da Estação Moskovskaya – (Московский Вокзал / Moskovsky Vokzal), que fica na Praça Vosstaniya (Площадь Восстания / Ploschad Vosstanyia) com acesso pela estação de metrô de mesmo nome (da praça). Nós adquirimos tanto o bilhete quanto o translado do hotel para a estação de trem diretamente com a agência de viagem, já que o valor da passagem não possuía grandes ágios e a facilidade na locomoção pela cidade é algo que para nós não tem preço. Sério mesmo, dinheiro pago para translados não são necessariamente um luxo, principalmente em países que apresentam algum tipo de complexidade e se os horários não são os mais fáceis. Brigar por um táxi ou tentar entender um sistema de metrô, num idioma totalmente estranho, com malas, depois da meia noite, numa cidade que você realmente desconhece, depois de um dia inteiro, não é um luxo supérfluo na minha concepção.

Mas é perfeitamente factível economizar um pouco mais e fazer tudo isso de metrô e comprar o bilhete de trem sozinho. Basta entrar no site da JSC Russian Railways – Российские железные дороги (РЖД) e preencher os dados (ponto de partida, destino, data). A passagem do trem de alta velocidade custa por volta de 3000 rublos (menos de R$ 200,00) para cada perna, na classe econômica. A venda de passagens só abre com dois meses de antecedência, então, não adianta um planejamento tão antecipado, mas, sugiro ficarem atentos se a sua viagem coincidir com algum feriado nacional (Dia do Defensor da Pátria: 23 de fevereiro; Dia Internacional da Mulher: 08 de março; Dia do Trabalho: 1º de maio; Dia da Vitória: 9 de maio; Dia da Rússia: 12 de junho; Dia da Unidade Nacional: 5 de novembro; Ano Novo: 31 de dezembro a 9 de janeiro), pois, neste caso, os bilhetes costumam desaparecer rápido.

Atenção, na página de opções de trens, vão surgir vários horários, com diversos preços. Nem todas são referentes aos trens rápidos. Apenas aqueles marcados como Trem Sapsan (СапСан), são os de alta velocidade, os demais são composições noturnas. A viagem de Trem Sapsan (СапСан) dura cerca de 4h30min em um transporte bastante pontual e confortável. Muito melhor do que avião. O trem possui um vagão restaurante e, durante a viagem, um carrinho de serviço de bordo circula pelos vagões (o que você consumir é pago à parte). O banheiro é limpíssimo, inclusive uma funcionária fica responsável por sua manutenção durante todo o trajeto. Se possível, levem malas pequenas (ou chegue muito cedo), do contrário, elas podem ter que viajar soltas, pois o lugar para acomodá-las é pequeno e fica rapidamente cheio de bagagens.

Trem Sapsan (СапСан)

Trem Sapsan (СапСан)

Trem Sapsan (СапСан)

Trem Sapsan (СапСан)

Aparentemente, você compra o bilhete e ganha um voucher, que você imprimirá, a ser trocado na própria estação. Tenho para mim que este procedimento pode não ser tão simples assim, tendo em vista principalmente a dificuldade do idioma (provavelmente todo mundo aqui só falará russo), mas você pode solicitar a orientação ao seu hotel para indicar por escrito, em russo, qual guichê que você deve procurar. Sugiro chegar com muita antecedência à estação de trem (qualquer coisa, pergunte para alguém: “Bilét Sapsan póiest v Moskvy?”). Boa sorte!!!!!!

A paisagem do trajeto é bonita mas, como esperado, monótona. O trem não para em nenhuma estação, cruza cidades pequenas, lagos, florestas…

Nós chegamos por volta da meia noite na cidade e fomos direto para o hotel.

Hotel

Nós ficamos hospedados no hotel Peter I, que fica na úlitsa Neglinnaya (улица Неглинная), nº 17, pertíssimo do Teatro Bolshoi e da Praça Vermelha, o hotel fica em frente ao Banco Central da Rússia, em uma região bem elitizada da capital.

O hotel é excelente, como não poderia deixar de ser, principalmente porque nos custou um rim, um pulmão e uma hipoteca do meu apartamento. Brincadeiras à parte, a hospedagem em Moscou é um absurdo, principalmente na região no entorno da Praça Vermelha.

Como esclareci aqui, a hospedagem na Rússia é muito cara pois, aparentemente, não existem hotéis de nível intermediário (pelo menos em termos de preço). Optamos por esse hotel porque queríamos ficar próximos à Praça Vermelha – visitá-la à noite é algo OBRIGATÓRIO – e ao Teatro Bolshoi. Havíamos sido alertados de que Moscou era uma cidade perigosa, o que realmente não se confirmou, e que circular por ela à noite poderia ser algo não muito fácil ou seguro, fora que os táxis na Rússia não são assim confiáveis.

Em absoluto não nos arrependemos de ter ficado hospedados ali. Como também já mencionei (clique aqui), a nossa viagem ficou mal planejada, pois só passamos 3 dias inteiros em Moscou, o que é muito pouco. Então, a redução do tempo de deslocamentos veio a calhar.

Mas, se você for ficar mais tempo na cidade, não precisa se limitar àquela região e pode poupar um pouco mais o seu dinheiro. Será o que farei, na minha próxima viagem à Rússia.

1) Sugiro que você se hospede perto de uma estação de metrô, isso irá facilitar a sua vida;

2) Fique do lado do rio Moscou em que está situado o Kremlin. Cruzar as pontes pode não ser algo tão simples assim, até porque as distâncias entre elas costumam ser bastante extensas, e aquele lado do rio é onde se concentra a maior parte das atrações da capital russa.

3) Escolha o seu hotel dentro do chamado Garden Ring, as avenidas que fazem um círculo perto das extremidades do mapa acima. Isso diminuirá o seu deslocamento e, provavelmente, com esses parâmetros, você não ficará em nenhum lugar sinistro.

4) Na minha opinião, algo absolutamente pessoal, pois não conheço a cidade suficientemente para opinar embasadamente, se você ficar hospedado até as imediações da Praça Mayakovskaya, da estação de trem Bielorruskaya, da Igreja do Cristo Salvador, da estação de metrô Smolenskaya, não estará mal instalado.

5) Faça a cotação dos hotéis mais longe, mas também realize o procedimento nos hotéis vizinhos à Praça Vermelha, às vezes a diferença não é tanta assim… Na verdade, foi o que aconteceu conosco. Antes de fechar com a agência, eu fiz uma cotação de diversos hotéis via Tripadvisor e em TODOS, estivessem eles perto da Praça Vermelha, ou a uma distância considerável, a diferença na diária não ultrapassava R$ 40,00 ou R$ 50,00.

6) Leve o nome do seu hotel, da rua em que ele fica, da estação de metrô das imediações (e também das ruas que você terá que percorrer a pé até chegar no hotel, na hipótese de você chegar em transporte público), escrito em cirílico. É um procedimento simples que vai ajudar você a não se perder, principalmente porque nenhuma indicação estará escrita em alfabeto latino.

7) Ficar hospedado nas imediações da úlitsa Tverskaya pode facilitar também, porque ela termina na Praça Vermelha e é a principal rua de Moscou, a probabilidade de se tornar um lugar ermo, à noite, é remotíssima.

8) Se você estiver hospedado longe da Praça Vermelha e já estiver tarde para pegar o metrô, entre em um dos hotéis nas proximidades (o Metropol, o Nacional, o Ritz) e peça um táxi na recepção. Vá bem vestido, isso facilitará a sua entrada e as pessoas terão mais boa vontade. Para homens, o uso de calça bege, camisa de botão esporte, ou uma pólo, abrem portas no mundo, se você viajar muito no estilo mochileiro, pode ser que a sua recepção não seja das melhores.

Retornando às impressões sobre a cidade, nesse primeiro momento, ela me pareceu uma sucessão de avenidas larguíssimas, com prédios iluminados. Pareceu bem mais vibrante do que São Petersburgo, com estabelecimentos abertos 24h, com uma tendência bem mais comercial do que a antiga capital, mas realmente não é nem de longe tão linda quanto Piter.

Mas a principal impressão ocorreu quando descemos do quarto para jantar. Fomos num restaurante georgiano do lado do hotel, Kafe Khinkalnaya (Кафе Хинкальная / Café Hinkalhnaya). A curiosidade é que se pode fumar no interior desse restaurante. Não sou antitabagista, mas realmente nos desacostumamos com esse tipo de prática. Os preços são excelentes, os garçons compreendem inglês, mas o serviço não é nível São Paulo, absolutamente. Acabamos jantando duas vezes aqui, até por uma questão de economia, mas a comida era realmente gostosa.

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Metrô soviético (parte 2) – Moscou

Eu sou suspeito para falar de metrô, pois acredito que a existência deste meio de transporte funcionando de forma eficiente (abrangendo a maior parte da cidade, sendo seguro, rápido e bem sinalizado) é uma das condições sine qua non para uma cidade ser considerada como civilizada. Bom, esta é a minha opinião. Dito isto, esclareço que neste aspecto – dentre vários outros, diga-se en passant – não considero nem o Rio de Janeiro, nem São Paulo (que me perdoem os amigos paulistanos, o metrô daí é infinitamente melhor do que o carioca – bater em cachorro morto é covardia – mas continua sendo bem ruim) como cidades boas de se viver.

Mais famoso do que seu irmão petersburguense, que também merece ser visitado (clique aqui), o metrô moscovita é realmente uma festa para os olhos e reúne todos os pressupostos de um metrô eficiente com um plus: É LINDO! Tal qual em São Petersburgo, o metrô de Moscou é decorado com mármore da Karélia, de granito, além de esculturas, mosaicos, pinturas… Definitivamente é o “palácio do povo”.

A excelente guia indicada pela agência Tchayka nos explicou que a visita turística ao metrô é uma atividade relativamente recente. Na verdade, nos tempos de recrudescimento da política soviética, na década de 70, os guias ficavam muito sem ter o que mostrar para os turistas, pois várias atividades eram proibidas pela Inturist (a agência de turismo oficial da URSS). Assim, os guias resolveram inovar e introduziram as visitas ao metrô, tomando o cuidado de evitar o contato direto dos visitantes com a população. Sem querer, eles acabaram revelando um dos mais famosos pontos turísticos da cidade.

Praticamente todas as estações construídas entre a década de 30 e o meio da década de 50 são palacianas e valem à pena ser conhecidas. O problema é que se você realmente resolver percorrer todas elas, parando e tirando fotografias, você perderá pelo menos um dia “brincando de toupeira”. E, tal qual outra atividade repetitiva, passear em túneis e ficar no entra-e-sai de trens acaba se tornando um passeio cacete. Nossa visita foi corrida e mesmo assim, ficamos mais de duas horas percorrendo a teia de linhas e estações. No final, já não aguentávamos mais. Além disso, como houve um erro de cálculo no tempo da estadia em Moscou, a visita acabou sendo muito corrida. Por esses motivos que não tiramos fotos de todas as estações. Para redigir este post e dar o “nome aos bois” nas fotos, eu abri a Wikipedia do Metro de Moscou e fui clicando em cada uma das estações. Foi ótimo, porque me lembrei de várias que visitamos e que infelizmente não deu tempo ou não tivemos paciência para registrar em fotografias. Todas as estações que eu cito abaixo tem fotografias na web e entrada na Wikipedia, sugiro entrar em cada uma e montar o seu roteiro.

A estação Mayakovskaya é a mais famosa do metrô moscovita e pelo que a guia nos contou, é a mais fotografada de todas.

Moscou - Metro - Estação Mayakovskaia (Маяковская)

Moscou – Metro – Estação Mayakovskaia (Маяковская)

Moscou - Metro - Estação Mayakovskaia (Маяковская)

Moscou – Metro – Estação Mayakovskaia (Маяковская)

Moscou - Metro - Estação Mayakovskaia (Маяковская)

Moscou – Metro – Estação Mayakovskaia (Маяковская)

Moscou - Metro - Estação Mayakovskaia (Маяковская)

Moscou – Metro – Estação Mayakovskaia (Маяковская)

 Estação Bielorusskaya:

Moscou - Metrô - Estação Bielorusskaya (Белорусская)

Moscou – Metrô – Estação Bielorusskaya (Белорусская)

A foto acima ficou meio tremida, pois tivemos que tirá-la e caminhar ao mesmo tempo, mas não quis deixá-la de fora da postagem.

Moscou - Metrô - Estação Bielorusskaya (Белорусская)

Moscou – Metrô – Estação Bielorusskaya (Белорусская)

Moscou - Metrô - Estação Bielorusskaya (Белорусская)

Moscou – Metrô – Estação Bielorusskaya (Белорусская)

Moscou - Metrô - Estação Bielorusskaya (Белорусская)

Moscou – Metrô – Estação Bielorusskaya (Белорусская)

Estação dos vitrais (os vitrais foram confeccionados em Riga, na Letônia), Novoslobodskaya:

Moscou - Metrô - Estação Novoslobodskaya (Новослободская)

Moscou – Metrô – Estação Novoslobodskaya (Новослободская)

Moscou - Metrô - Estação Novoslobodskaya (Новослободская)

Moscou – Metrô – Estação Novoslobodskaya (Новослободская)

Moscou - Metrô - Estação Novoslobodskaya (Новослободская)

Moscou – Metrô – Estação Novoslobodskaya (Новослободская)

Estação Ploschad Revoliutsii. Aqui tem uma história bacana. Uma das esculturas de bronze que ornam os pórticos do corredor central da estação representa um cachorro. Reza a lenda que um estudante da Universidade Lemonosova (um dos prédios fica nas imediações) não havia estudado para uma prova e ao passar pela estátua esfregou o focinho do cachorro desejando sorte no exame. Aparentemente, ele tirou excelente nota e a notícia se espalhou. Como o povo russo é extremamente supersticioso, as pessoas passaram a esfregar o focinho do cachorro sempre que passam por ali. Infelizmente, eu apareço (e muito mal, buuuuum!) na única foto que tiramos junto ao cachorro. Eu mesmo prefiro não vê-la, logo, não a incluirei no post.

Moscou - Metrô - Estação Ploshchad Revolyutsii (Площадь Революции)

Moscou – Metrô – Estação Ploshchad Revolyutsii (Площадь Революции)

Moscou - Metrô - Estação Ploshchad Revolyutsii (Площадь Революции)

Moscou – Metrô – Estação Ploshchad Revolyutsii (Площадь Революции)

Moscou - Metrô - Estação Ploshchad Revolyutsii (Площадь Революции)

Moscou – Metrô – Estação Ploshchad Revolyutsii (Площадь Революции)

E agora, a estação que achei mais bonita: Komsomolskaya. Quando estava viajando, e fiz um grupo no tenebroso aplicativo WhatsApp, para mostrar aos amigos algumas fotografias da viagem (algo que não pretendo fazer de novo), algumas pessoas acharam que esta estação era o salão de algum palácio real, visto a sua suntuosidade. Parece mesmo!

Moscou - Metrô - Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou – Metrô – Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou - Metrô - Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou – Metrô – Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou - Metrô - Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou – Metrô – Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou - Metrô - Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou – Metrô – Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou - Metrô - Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou – Metrô – Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou - Metrô - Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Moscou – Metrô – Estação Komsomolskaya (Комсомольская)

Segue abaixo uma sugestão de estações que acredito merecerem uma visitinha. As sublinhadas são as mais belas.

Linha 1

Komsomolskaya (Комсомольская);

Krasnye Vorota (Красные ворота);

Okhotny Ryad (Охотный ряд);

Frunzenskaya (Фрунзенская);

Sportivnaya (Спортивная).

Linha 2

Mayakovskaya (Маяковская);

Teatralnaya (Театральная);

Bielorusskaya (Белорусская);

Novokuznetskaya (Новокузнецкая);

Sokol (Сокол);

Paveletskaya (Павелецкая);

Linha 3

Alexandrovsky Sad (Александровский сад);

Kurskaya (Курская);

Elektrozavodskaya (Электрозаводская);

Ploshchad Revolyutsii (Площадь Революции);

Kiyevskaya (Киевская);

Slavyansky Bulvar (Славянский бульвар);

Smolenskaya (Смоленская);

Arbatskaya (Арбатская).

Linha 5

Novoslobodskaya (Новослободская);

Prospekt Mira (Проспект Мира);

Komsomolskaya (Комсомольская);

Taganskaya (Таганская);

Oktyabrskaya (Октябрьская);

Park Kultury (Парк культуры);

Krasnopresnenskaya (Краснопресненская).

O Thiago Caramuru, em seu excelente blog, indica um roteiro mais compacto de estações de metrô.

Informações práticas

Ao contrário do que acontece no metrô de São Petersburgo, seu irmão moscovita não está adaptado ao turista ocidental. Nada foi escrito no alfabeto latino e se você não souber ler o cirílico, você pode realmente se perder… Não sei se eles estão errados. Em Paris, Londres, Nova Iorque… as informações do metrô foram também transliteradas para o cirílico, para o árabe, para o mandarim ou japonês? Não! Você pode vir com o argumento de que o inglês é universal… Tudo bem, mas não sei se concordo totalmente com essa postura de aceitar o imperialismo anglófilo em tudo. Reparem que tanto as transliterações acima como aquelas do metrô de São Petersburgo são feitas com base no inglês, se fôssemos transliterar para o português, haveria algumas diferenças.

Nós fizemos o passeio com um guia, o que facilitou, pois só pegamos estações com escadas rolantes e evitamos de nos perdermos e pararmos em algum lugar bizarro, ou de de desperdiçar tempo e energia pegando os túneis errados para as baldeações etc., além de termos evitado a hora do rush.

Contudo, de um modo geral, as pessoas costumam achar o metrô de Moscou difícil de ser utilizado. Na boa, não vi muita diferença dos sistemas de Paris e de Madrid, por exemplo. Como ocorre em São Petersburgo, cada linha tem trajetos e túneis exclusivos, o que significa que não passarão trens de linhas distintas numa mesma gare. Fora isso, existem nomes diferentes para algumas (mesmas) estações, dependendo da linha em que ela se encontra, o que é um fator complicador, como já explicado no post sobre o metropolitano de Piter.

O Tripadvisor tem um passo-a-passo de como se deslocar no metrô moscovita, para ter acesso a ele, clique aqui.

A Adriana, do DriEverywhere, achou uma fórmula bastante diferente para se entender com os caracteres cirílicos e não se perder debaixo da terra.

Eu acho mais seguro aprender a transliterar. Para tanto, a brincadeira que fiz foi habilitar o teclado russo no celular e ficar trocando mensagens em português, mas escrito no alfabeto cirílico, com pessoas que sabem fazer a transliteração. Funcionou. Quanto mais você praticar, mais rápido lerá e mais desenvoltura terá pela cidade.

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O metrô soviético (parte 1) – São Petersburgo

Em princípio, pretendia fazer a junção da visita ao metrô de São Petersburgo com a do de Moscou, servindo como uma transição dos posts de uma cidade para a outra.

Mudei de ideia, primeiro porque o post ficaria gigantesco e, em segundo lugar, porque ainda teria que fazer o upload das fotos do metropolitano moscovita e uma das coisas mais chatas de se fazer no blog é carregar as fotos que servirão para ilustrar a postagem.

O metrô de São Petersburgo foi inaugurado na metade da década de 50. Todavia, planos para a sua inauguração remontam aos tempos da Rússia Imperial, pré-Revolução Bolchevique. Ainda que só tenha começado a funcionar em 1955, sua construção se iniciou vinte anos antes pelas ordens do Comitê Executivo dos Sovietes da então cidade de Leningrado, obedecendo a estética construtivista stalinista em voga na URSS. Nesse contexto, percebe-se que as obras de sua construção foram contemporâneas às do metrô de Moscou, porém terminaram muito depois, principalmente em razão da Segunda Guerra Mundial e ao Cerco de Leningrado.

De um modo geral, todo governo comunista / socialista confer(ia)e uma importância genuína ao transporte de massa, o que resultou num maciça investimento no metrô. Reza a lenda que Lênin considerava o metrô “o palácio do povo” e por esse motivo foi tomado um cuidado exacerbado com a decoração de suas estações, tal qual ocorre também em Pyongyang, na Coreia do Norte.

Com um passeio no metrô petersburguense, você pode ver nitidamente a evolução da arquitetura soviética, desde a ostentação construtivista da Era Stalin, passando pela sobriedade dos tempos de Brejnev até o retorno à opulência da atual era dos “novos russos”.

Nesse aspecto, ressalto que a “mania” de construir estações palacianas ainda persiste, pelo menos no metrô de São Petersburgo. Aquelas recentemente construídas também primam pela suntuosidade, como se pode verificar pela estação Admiralteyskaya (fotos abaixo).

Contrariamente ao que acontece nas mais importantes metrópoles ocidentais, notadamente Paris, Nova Iorque e Londres, o metrô russo (tanto em Moscou como em Piter) não é tão denso, ou seja, a localização das estações é bem mais espaçada (nesse sentido, que fique claro, SOMENTE nesse sentido, ele lembra os metrôs do Rio de Janeiro e de São Paulo). Para compensar, os trens trafegam e uma velocidade muito maior do que a atingida pelos seus pares ocidentais.

São Petersburgo - Metrô - Estação Avtovo (Автово)

São Petersburgo – Metrô – Estação Avtovo (Автово)

São Petersburgo - Metrô - Estação Avtovo (Автово)

São Petersburgo – Metrô – Estação Avtovo (Автово)

São Petersburgo - Metrô - Estação Avtovo (Автово)

São Petersburgo – Metrô – Estação Avtovo (Автово)

São Petersburgo - Metrô - Estação Narvaskaya ( Hа́рвская)

São Petersburgo – Metrô – Estação Narvaskaya ( Hа́рвская)

São Petersburgo - Metrô - Estação Narvaskaya ( Hа́рвская)

São Petersburgo – Metrô – Estação Narvaskaya ( Hа́рвская)

São Petersburgo - Metrô - Estação Narvaskaya ( Hа́рвская)

São Petersburgo – Metrô – Estação Narvaskaya ( Hа́рвская)

São Petersburgo - Metrô - Estação Narvaskaya ( Hа́рвская)

São Petersburgo – Metrô – Estação Narvaskaya ( Hа́рвская)

São Petersburgo - Metrô - Estação Vladimirskaya (Влади́мирская)

São Petersburgo – Metrô – Estação Vladimirskaya (Влади́мирская)

São Petersburgo - Estação Kirovsky Zavod ( Ки́ровский заво́д)

São Petersburgo – Estação Kirovsky Zavod ( Ки́ровский заво́д)

São Petersburgo - Metrô - Estação Zvenigorodskaya (Звенигородская)

São Petersburgo – Metrô – Estação Admiralteyskaya (Адмиралтейская)

São Petersburgo - Metrô - Estação Zvenigorodskaya (Звенигородская)

São Petersburgo – Metrô – Estação Admiralteyskaya (Адмиралтейская)

Como vocês podem perceber, os trens em circulação que vimos são todos da era soviética: charmosíssimos!

As estações a serem percorridas são:

Linha 1

Ploshchad Vosstaniya (Плoщадь Восстaния);

Vladimirskaya (Владимирская);

Pushkinskaya (Пушкинская);

Tekhnologichesky Institut (Технологический институт);

Baltiyskaya (Балтийская);

Narvskaya (Нарвская);

Kirovsky Zavod (Кировский завод);

Avtovo (Автово).

Linha 3

Ligovsky Prospekt (Лигговский проспект).

Linha 5

Krestovsky Ostrov (Крестовский остров);

Zvenigorodskaya (Звенигородская).

As estações que eu sublinhei são as mais bonitas. Obviamente, não percorremos todas estas, mas elas nos foram indicadas pelas guias. De igual maneira, não tiramos fotografias da integralidade das estações visitadas, pois não tínhamos muito tempo; por isso algumas avistamos de dentro do trem. Outro dado importante é que esse passeio pode demorar horas e virar algo enfadonho, por isso, sugiro selecionar previamente as estações que pretendam visitar. Asseguro que a estação Avtovo (leia-se Ávtava) é imperdível!

Informações práticas:

O metrô  de São Petersburgo é o mais profundo do mundo. Ele funciona até uma da manhã (convém conferir esta informação no hotel, para evitar surpresas). Os nomes das estações e as informações indicativas de saída, baldeações… estão diponíveis tanto em alfabeto latino quanto no cirílico. Algumas estações, apesar de estarem no mesmo lugar, possuem nomes diferentes. Ex: Nevsky Prospekt e Gostiny Dvor, ou seja, você desce numa delas e chega na outra fazendo a baldeação pelos túneis internos (nas cidades ocidentais, provavelmente, elas teriam o mesmo nome), então é bom prestar atenção.

O sistema de baldeação entre as linhas é muito semelhante ao que existe em Paris com as correspondances (igual ao que ocorre no Brasil, nos metrôs do Rio – estação Estácio – e de São Paulo). Acredito que numa mesma gare não circulem trens de linhas diferentes, tal qual ocorre em Nova Iorque ou em Londres.

O valor do token é muito barato e não há necessidade de pagamento de outra passagem caso você faça baldeações entre linhas, tal qual ocorre com o metrô e o tram de Istambul, por exemplo.

No próximo post, abordarei o metrô de Moscou.

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São Petersburgo – Informações Práticas

Para encerrar o passeio a São Petersburgo, ficou só faltando mencionar as questões práticas da viagem.

Tempo de permanência: nós ficamos praticamente 5 dias inteiros na cidade, fizemos muita coisa e não foi corrido. Tudo bem, que nossa chegada a São Petersburgo aconteceu no fim da tarde, mas eu ainda conto como um dia na cidade, visto que, no início de maio, o sol se punha depois das 22h, dando tempo de sobra para nós darmos uma primeira flanada pelas ruas barrocas do centro histórico. Turistamos bastante, mas deixamos de fazer muitos passeios também. São Petersburgo entra no rol de cidades como Paris, Londres, Nova Iorque, Berlim e Moscou, que são inesgotáveis. Então, para fazer os passeios com calma, o ideal seria ficar uma semana, e considero 5 dias um tempo mínimo de estadia.

Climamais louco, impossível. Em termos de umidade, parece uma versão fria do Rio de Janeiro, mas com mudanças imprevisíveis. Cansamos de acordar com sol, no meio do dia chover canivetes, aparecer novamente o sol em meio à chuva, e o dia finalizar com um céu limpo ou desabando. Fazia frio em maio, não pegamos neve nem degelo de neve. Usamos casacos grossos todos os dia. Melhor vestir-se em camadas.

Hotel: nós nos hospedamos no Hotel Petro Palace, que fica na úlitsa Malaya Morskaya (улитса Малая Морская), a dois passos tanto do Nevsky Prospekt quanto da Catedral de Santo Isaac.

É um hotel bem grande, 4 estrelas, com os serviços condizentes com um estabelecimento dessa categoria, nada além. Quartos grandes, banheiro do quarto limpo, bom café da manhã, excelente serviço de concierge, WI-FI grátis, água mineral grátis também. A localização realmente é o ponto alto do hotel. Ele me havia sido indicado por um amigo que aqui se hospedara ao visitar a cidade em 2010. Desde então, o hotel passou por uma grande reforma e os quartos estão bem decorados. O único senão é que as paredes divisórias entre os dormitórios, aparentemente, são muito finas. Numa das noites, estava dormindo placidamente, depois de um dia cheio, quando comecei a escutar um casal num momento íntimo. A mulher gritava muito alto. Achei que fosse passar, mas nada. Eu estava exausto, mas não conseguia pegar novamente no sono, pois o vazio do quarto amplificava o som do “embate”. Olhei no relógio e eram 3 da manhã, contei 15 minutos esperando que eles parassem, tentando também identificar de onde vinha o som (sou péssimo para esse tipo de reconhecimento) e não aguentei, incorporei o espírito da D. Pombinha Abelha, da novela Roque Santeiro, levantei-me e fui socar forte a parede do quarto. Eles pararam. No dia seguinte, fui questionado de maneira incrédula: “eu sonhei ou vi você se levantando para bater na parede?”. Essa não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece, mas isso é uma outra história.

Em relação aos hotéis na Rússia, tanto o meu amigo que havia viajado para lá em 2010, quanto a agência de viagens, e também outros viajantes na blogsfera, haviam sido bastante claros ao informar que no país não existe meio termo: ou você se hospeda num hotel de luxo, ou você se hospeda numa espelunca. Eu gosto de hotel, não posso mentir, mas não acho inteligente gastar dinheiro que poderá fazer falta para ficar luxando pelo mundo. O problema é que eu não tenho como ficar em hotel sem elevador ou sem banheiro no quarto. Numa cidade como São Petersburgo – e Moscou também – isso acaba se tornando um problema. Banheiro no quarto não é incomum, mas elevador, aparentemente só existe em hotéis de categoria superior. Eu até consigo me arrastar lentamente escada acima (escada abaixo é bem mais complexo), mas fazer isso várias vezes por dia (como o hotel era bem localizado, sempre dávamos uma paradinha durante o dia para pegar / deixar um casaco, ir ao banheiro, esticar as pernas um pouco) ou segurando malas, inviabiliza a minha estadia a falta de elevador ou de quarto no rés do chão. Fazendo uma pesquisa no Tripadvisor e no Booking, os hotéis melhores qualificados (com notas acima de 8,5 – não sei se vale à pena um tópico de como escolher hotéis) eram estupidamente caros. Os hotéis mais em conta por preço eram mal qualificados e havia aqueles com boa qualificação, mas de localização distante, cujo preço da diária era R$ 30,00 e R$ 50,00 mais barato do que os melhores localizados, não valendo à pena… Acabamos optando pelos hotéis caros.

Hoje em dia, eu talvez fizesse algo diferente. Retornaria fácil ao Hotel Petro Palace (verifiquem a tarifa do próprio site do hotel antes de fecharem com agência, Booking… – no nosso caso, eles tinham o melhor tarifário), mas não me limitaria a ele, caso o preço fosse absurdo, e teria uma gama um pouco mais ampla em relação à localização da hospedagem. Deixem-me tentar explicar a metodologia. Ao escolher o hotel, eu optaria por:

São Petersburgo - Centro Histórico - Fonte: http://www.polina.pl.ru/big_map.jpg

São Petersburgo – Centro Histórico – Fonte: http://www.polina.pl.ru/big_map.jpg

1) Ficar no Centro Histórico, ou seja, na ilha no meio da cidade entre o rio Neva (o mais largo, ao norte) e o rio Fontanka (o segundo mais largo, ao sul);

2) Ficar próximo ao Nevsky Prospekt (sua vida na cidade passará por ele, independentemente de qualquer coisa);

3) Em termos de delimitação de espaço no Centro Histórico, definiria os meus limites desta forma: a oeste do Nevsky Prospekt, não ultrapassar a úlitsa Gorokhovaya (улитса Горохвая); e, a leste, não ir além do braço do rio Moika que altera o seu curso para o sul (na proximidade da Catedral de São Salvador sobre o Sangue Derramado). Quanto mais ao norte você se hospedar, mais próximo ficará do Nevsky Prospekt. Se você for além desses limites sugeridos, saiba que terá que andar muito e que o retorno ao hotel após um jantar ou um dia de andanças pode ser desgastante e você fatalmente se aborrecerá com taxis, pois as estações de metrô não são tão próximas assim. Saiba também que a região a leste do Nevsky Prospekt é bem mais posh do que o lado oeste

4) Não escolheria um hotel na região de Kolomna ou do Teatro Mariinsky por conta das dificuldades de transporte. Também não me hospedaria na região da Praça Sennaya, por mais fanático que você seja pela literatura do Dostoiévski, o local tem metrô, mas não é nem bonito, nem tão bem frequentado. Evitaria ficar na ilha Vassilevsky ou nos lados de Petrodvorets e Vyborg, isto porque, por mais que a ilha e Petrodvorets sejam pitorescos, a maior parte das atrações está na margem oposta do rio Neva (talvez sejam lugares bons para se morar, mas não para o turista), por sua vez, Vyborg é a maior região da cidade, as chances de você se meter numa furada são gigantescas.

O que eu estou querendo dizer é que não há necessidade de gastar tanto em hospedagem, nem de ficar limitado ao rayon ultrachique da cidade.

Transporte: como disse no último post, o metrô em São Petersburgo é bastante adaptado ao turista, indicações em alfabeto latino, informações em inglês…, todas as estações aparentemente têm escada rolante e se você não utilizar no horário de pico, é bastante tranquilo.

Por outro lado, tirando as visitas à Fortaleza de São Pedro e Paulo (dá para ir caminhando) e eventualmente uma ida ao Mosteiro de Alexandre Nevsky, à Catedral de Smolny e à Duma e, talvez, à região do Teatro Mariinsky e da Catedral de São Nicolau dos Marinheiros (a estes últimos, também é possível ir caminhando), você realmente não precisará de outro meio de transporte que não seja os seus lindos pezinhos.

Nós utilizamos o metrô só uma vez (mais para visitá-lo do que qualquer outra coisa) e retornamos da primeira visita ao Hermitage  de taxi, acompanhados da guia. Pelo que entendi, você liga para o número da cooperativa, informa o destino e eles lhe passam um preço cheio. Como nós contratamos guias e estávamos de carro na maioria dos passeios, não passamos por nenhum perrengue de ter que acenar a um taxi na rua, fazer mímica ou de pechinchar valores com a ajuda de um bloquinho ou de uma calculadora de celular. Aparentemente, não são mais tão comuns os “táxis piratas”, ou seja, a complementação de renda feita por qualquer proprietário de carro, que, em tese, pode pegar qualquer pessoa na rua e fazer uma corrida paga.

Restaurantes:

1) Gogol (Гогол), úlitsa Malaya Morskaya, 8 – Foi uma sugestão dos recepcionistas do hotel e foi, sem sombra de dúvida, o melhor restaurante que fomos na Rússia. Não é baratinho, mas é pagável. Nós pedimos um strogonof (bastante elogiado) e um pelmeni, que é uma espécie de ravioli russo, delicioso (por sinal, por que se lega aos italianos a invenção da massa recheada? Eu comi pratos do gênero na comida turca, georgiana, polonesa…). A refeição é acompanhada por uma moça que toca piano e por um passarinho que fica cantando junto com o instrumento. Todas as pessoas falavam inglês e possui cardápio na língua da Jane Austen.

2) Russian Empire, Nevsky Prospekt, 17 – Piège à touriste! Certamente foi restaurante mais caro a que já fui em toda a minha minguada existência. Mas foi proposital. Eu queria conhecer o palácio, inclusive por ter sido o lugar onde foi inventado o filé strogonof. O restaurante é lindo, decoração palaciana, comida excelente, mas tive que financiar a conta em suaves prestações pela Caixa Econômica Federal…

O prato foi feito para o Conde Stroganov. Na velhice, o conde não conseguia mais comer a carne assada ou grelhada por conta dos dentes fracos e, por isso, foi confeccionado um prato de carne cozida, quase desmanchando, misturada com creme azedo e acompanhado de purée de batata inglesa.

Como vocês podem perceber, na Rússia, o strogonof é normalmente acompanhado de purée e é feito com carne de veado! UMA DELÍCIA!!!

3) Café Bajé (Кафе Баже), Kirpichniy perelouk, 3  – Muito boa comida georgiana a ótimos preços, pratos bem servidos! Fomos duas vezes, primeiro, porque ficava perto do hotel e também porque abria 24 h por dia, mesmo nos feriados. Os funcionários falam inglês.

A comida georgiana é deliciosa. Tem influência das culinárias russa e do Oriente Médio. Experimentem o Kachapuri, um pão coberto com queijo, simplesmente divino!

4) Garçon (Гарсон), 20, úlitsa Malaya Morskaya – bistrot francês bem cool que dá para “fazer a leve” pedindo uma saladinha ou um croque monsieur. Fala-se inglês. Preços decentes.

5) Schastye (Café e Confeitaria) – 24, úlitsa Malaya Morskaya – Fomos no último dia tomar um café enquanto aguardávamos o nosso translado para a estação ferroviária. Ambiente posh, não achei excepcionalmente caro, mas também só fizemos um lanchinho, que estava muito bom. O chocolate que eles vendem é ótimo e pode servir como souvenir. Fala-se inglês.

5) Tryn Trava – (Трын Трава) – 9, úlitsa Malaya Konyushennaya – o restaurante mais simples a que fomos, frequentado por famílias russas. Experiência interessante. Há opções de buffet (que parece ser a melhor opção) e à la carte (que nós pedimos). Não é um restaurante chique e, por isso, foi muito legal! Foi a indicação de uma das guias! Nenhum funcionário fala inglês, mas todos têm boa vontade em servir.

6) Timecafe Miracle (Café) – Foi sugestão da Anna Rudaya. O estabelecimento parece um grande lounge, com sofás, livros, mesas, instrumentos musicais (que você pode usar), espalhados em diversos ambientes… A proposta é pagar por hora. Isso mesmo, você escolhe o chá as tortas (deliciosas, de maçã, mirtilho, amora, cereja…) e consome o quanto quiser. Você pagará um valor pelo tempo em que você permanecer no lugar. Ambiente descontraído e frequentado por estudantes e jovens. Ponto alto da viagem!

Nesse café, nos aconteceu uma das histórias mais inusitadas da viagem. Estávamos muito bem conversando, quando começamos a escutar uma voz feminina cantando em português. Começamos a prestar atenção e percebemos que era uma música da Xuxa (“Soco, bate, vira”). Começamos a rir e a Anna nos perguntou o porquê de nossa risada. Quando explicamos, inclusive mencionando tratar-se de uma cantora infantil, ela nos disse que essa música fazia sucesso nas rádios russas. Bizarro!

Provavelmente, deve haver gente falando inglês, como a Anna nos acompanhou, não posso confirmar esta informação. Foi aqui que eu li um quadro negro e me dei conta de que não entendia patavina do russo escrito em letra cursiva.

No próximo post farei a integração São Petersburgo – Moscou ao escrever sobre o belíssimo metrô das duas cidades.

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São Petersburgo – Ópera, concertos, afins e considerações sobre o turismo na Rússia

Turismo na Rússia

Antes de viajar para o país de Dostoiévski, li diversos blogs que contaram histórias desanimadoras a respeito da infraestrutura para o turista estrangeiro que decide dar uma conferida na antiga terra dos czares.

Todo mundo dizia que não se falava inglês em lugar nenhum, que todas as placas indicativas de rua e de informações eram redigidas em cirílico, que o povo não tem boa vontade… Bom, essas informações têm realmente um fundo de verdade.

Acho complicado ir a qualquer lugar da Rússia sem pelo menos aprender a transliterar o cirílico escrito em caracteres de imprensa (a escrita cursiva em russo é uma confusão para quem só se comunica no alfabeto latino, por exemplo, o “g” minúsculo, conforme escrevemos em letra cursiva, tem som de “d”; o “m” minúsculo tem som de “t”, und so weit… Não sei se esse tópico merece um post específico).

Por outro lado, as pessoas têm um semblante realmente mais sisudo, mas não achei ninguém especialmente rude (parisienses, espanhóis em geral, italianos do sul e novaiorquinos podem ser muito mais grosseiros, na minha opinião). Inclusive, se você conseguir se aproximar mais um pouco das pessoas, sentirá povo sinceramente caloroso, não no sentido brasileiro da palavra, mas na certeza de que ninguém irá escorraçá-lo, as pessoas terão boa vontade e estarão dispostas a lhes ajudar a despeito de uma eventual barreira do idioma. Em Berlim, cidade pela qual me apaixonei, por exemplo, não tive essa sensação. A funcionária da estação de trem na Friederichstraβe (que fica no centrão turístico e ao mesmo tempo chique da capital alemã) ao ser indagada: “Sprechen Sie Englisch? Franzözisch? Portugiesisch?”, haja vista que os meus conhecimentos na língua de Schiller não são tão aperfeiçoados assim, disse prontamente: “nur Deutsch” e começou a falar no dialeto de Berlim! Além da cretinice, dificultou bastante a compreensão do que ela dizia, pois nem o alemão padrão (Hochdeutsch) ela se dignou a falar. Velhota!

Este eventual desconforto é bem mais atenuado em São Petersburgo e acentuado em Moscou. Na antiga capital imperial, o metrô, as placas das ruas e aquelas indicativas na maioria dos museus estão também dispostas em alfabeto latino e há informações em inglês bem difundidas. Se por um lado, a ideia de que o inglês é o verdadeiro “Esperanto” me irrita magistralmente (é estarrecedor como os falantes nativos de língua inglesa não fazem um mínimo de esforço para aprenderem o básico do idioma do país que eles estão visitando, fora que, num futuro distante, acredito que o mundo inteiro só falará inglês, o que será uma falta de graça…), por outro lado tenho que reconhecer que isto facilita a vida do estrangeiro. Em Piter, nós encontramos pessoas que falavam – muito bem, por sinal – francês. Acho que o espírito do czar Pedro I, o Grande, realmente se incorporou na alma da cidade, pois, nesse sentido, ela é bem mais cosmopolita do que Moscou.

Já, em Moscou, a situação é bastante diversa. Nenhuma das placas está redigida em alfabeto latino. Quase ninguém fala inglês. As indicações de passagens subterrâneas, mandatórias para atravessar as grandes avenidas e bulevares que não têm sinal de trânsito, também não são tão visíveis ou evidentes. Para se ter uma noção do problema, nós fomos passear pela rua Arbat (улитса Арбат / úlitsa Arbat) – lugar realmente desinteressante, marcamos um “x” vermelho no mapa para não voltarmos (deixo as impressões para outro post) – e, como nenhum estabelecimento de cozinha russa nos parecia convidativo para tomar um lanchinho, resolvemos parar na loja da rede Le Pain Quotidien, certos de que ali encontraríamos alguém que se comunicasse em inglês… Ledo e caterino engano! O garçom e a garçonette que nos atenderam eram lindos, se fossem mais altos, pareceriam saídos das passarelas da Fashion Week de Paris, mas não falavam uma única palavra que não fosse em russo. Havia o cardápio em inglês, mas, como eles não conseguiam entender o que dizíamos, nós tínhamos que apontar o que queríamos no cardápio em russo, no local onde acreditávamos que estava escrito o que pretendíamos consumir, comparando com a disposição dos pratos no menu em inglês. Deu tudo certo, mas escolher o chá, por exemplo, foi difícil. Acabamos pedindo Coca Light e coffee mit malacó, ou seja, café com leite, numa mistura de inglês, alemão e russo (por que usamos o idioma mais difícil que sabemos, quando nos deparamos com uma língua desconhecida? Idiota, né). Ressalto que no próprio aeroporto de Sheremtievo a língua inglesa não é tão difundida entre os funcionários.

O ideal seria ter noções básicas de russo antes de viajar. No Rio de Janeiro, o Centro de Cultura Eslava ministra cursos de língua russa. O curso é excelente e tem uma ótima relação custo / benefício. Eu comecei a aprender o idioma após retornar da Rússia e posso garantir que, com os primeiros dois meses de curso, você consegue se virar com o básico do básico do idioma: entenderá palavras simples, saberá contar e, principalmente, conseguirá ler o russo, o que facilitará a sua vida nos deslocamentos internos e em perrengues com menus de restaurantes.

Outra dica, que já dei em vários posts anteriores, é o de sempre acessar a versão russa de qualquer site das atrações que você pretenda visitar. Use a ferramenta do Google Chrome para traduzir e, com um certo jogo de cintura, você conseguirá obter as informações de que necessita. As versões inglesas dos sites, quando existem, não são completas ou não são regularmente atualizadas.

O que relatei acima – e que será complementado abaixo – não é muito diferente do que acontece no Brasil. A infraestrutura turística aqui é pífia, as pessoas falam mal inglês, quando falam (já entrevistei vários candidatos a emprego que colocavam inglês fluente no curriculum e que não conseguiam falar nada, algo extremamente “queima filme”, por sinal), há poucas informações em qualquer outro idioma diferente do português… Isso sem falar de questões envolvendo corrupção, problemas com direitos sociais, concentração de riqueza… Brasil e Rússia têm muito mais semelhanças do que numa visão perfunctória podemos notar.

Ópera de São Petersburgo

Todo esse introito serviu para esclarecer que foi bastante complicado comprar ingressos para espetáculos de música erudita na Rússia.

Em primeiro lugar, uma busca no Google não é suficiente para mostrar todas as opções que existem na cidade. Obviamente, que chegar ao site do Teatro Mariinsky (durante a URSS foi conhecido como Kirov) não é muito difícil… No nosso caso, infelizmente não conseguimos conhecê-lo porque não havia nenhuma apresentação que particularmente nos interessasse no período em que ficamos em São Petersburgo (só haveria uma récita de uma ópera contemporânea, “The Left-hander”, do compositor Rodion Shchedrin, na nova sala do Mariinsky – tanto a ópera quanto a sala são recentes, o que poderia ser interessante, mas não era exatamente o que nós tínhamos em mente). Ir ao Mariinsky é um dos motivos para voltar rapidamente a São Petersburgo.

Nessas buscas na internet, achei um site genérico, que mostrava várias salas de espetáculo e propunha várias apresentações. Óbvio que parecia algo tabajara, tanto que não postarei o link aqui, mas serviu de norte para descobrir que, em princípio, o Concerto nº1 de Tchaikovsky, para piano e orquestra, e o Concerto nº 2, de Rachmaninov, também para piano e orquestra seriam apresentados na D.D. Shostakovich Saint Petersburg Academic Philarmonia,   que fica do lado do hotel em que nos hospedamos. Como era de se esperar, o site em inglês da orquestra também não era lá grandes coisas e não consegui me virar por lá.

Nesse ponto, eu comecei a me corresponder com a futura guia, Anna Rudaya, que me auxiliou bastante e me garantiu que os almejados concertos, na Filarmônica, não iriam acontecer, mas para isso ela teve que ligar para lá (a versão russa do site também é cocozenta). Ela fez a gentileza de me enviar o link das mais importantes salas de espetáculo da cidade, além das que eu já citei. Вот (“vot” / ei-los, em russo)!

Teatro Mikhailovsky

Ópera de São Petersburgo

Teatro do Hermitage

O período em que estivemos na cidade, na semana de um dos principais feriados russos, o dia 09 de maio, data da capitulação da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, é péssimo para concertos, pois a maioria das salas ou está em entressafra, ou apresenta récitas de cunho militar e patriótico (o que pode até ser interessante, mas em um outro momento). Por conta dessa situação, os espetáculos de interesse se limitaram à Ópera de São Petersburgo e ao Teatro do Hermitage (que, aparentemente, apresenta os ballets do Tchaikovsky ininterruptamente). Como acreditamos, equivocadamente, diga-se de passagem, que o Hermitage seria um piège à touristes, nos concentramos na Ópera de São Petersburgo, onde estaria em temporada um das obras de que mais gosto (se não for a minha predileta), que é “Don Giovanni”, do Mozart.

Aí, seguiu a maratona para comprar ingressos. Eu conseguia entrar no site, cadastrava-me, selecionava os assentos, preenchia os dados do cartão e, toda hora, dava um erro inidentificável. Para complicar, a cada vez que retornávamos ao site os ingressos anteriormente “comprados” apareciam como indisponíveis. Tentamos umas 3 ou 4 vezes, com cartões de titulares diferentes e nada. Fora que ficamos no perrengue de sermos cobrados por todas as tentativas.

A solução que encontrei foi a de comprar via Concierge do hotel. Pagamos uma taxa de 500 rublos pelo serviço e funcionou. Não me arrependo. Acredito que a Anna Rudaya possa providenciar a compra de bilhetes.

A Ópera de São Petersburgo fica na úlitsa Galernaya, nº 33, no bairro de Kolomna. Como o acesso por transporte público n’était pas du tout évident, resolvemos sair bem mais cedo e nos dirigimos andando desde o hotel. Não é uma caminhada particularmente agradável, tem poucos lugares no caminho para parar. Apesar da cidade ser bonita, e o bairro ser chique, as ruas estavam vazias devido ao feriado, festa e bebedeira do dia anterior, o que deixou o passeio um pouco fantasmagórico. Inclusive levamos um susto, já estávamos na úlitsa Galernaya, quando vimos uns soldados saindo marchando de uma porta, out of the blue. Vale à pena pedir um táxi no hotel.

O lugar onde está o teatro é um prédio antigo – aparentemente era um palácio de um nobre. Por fora, é bonito, mas não aparenta ser um teatro. Podia ser qualquer coisa: a casa da vovó Svetlana, o quartel general da máfia russa, um posto avançado da KGB… O interior já muda de figura. A sala é linda, toda branca, com dourarias sutis, excelente acústica. Detalhe para o foyer que lembra uma caverna (de gosto duvidoso):

Ópera de São Petersburgo - Foyer

Ópera de São Petersburgo – Foyer

Ópera de São Petersburgo - boca de cena

Ópera de São Petersburgo – boca de cena

Ópera de São Petersburgo - Boca de cena - Detahe

Ópera de São Petersburgo – Boca de cena – Detahe

Ópera de São Petersburgo - Escultura do teto da sala

Ópera de São Petersburgo – Escultura do teto da sala

Ópera de São Petersburgo - Porta Lateral

Ópera de São Petersburgo – Porta Lateral

Ópera de São Petersburgo - Porta Lateral - Detalhe

Ópera de São Petersburgo – Porta Lateral – Detalhe

Ópera de São Petersburgo

Ópera de São Petersburgo

Ópera de São Petersburgo - sala

Ópera de São Petersburgo – sala

Por fim, um pequeno adendo, os cantores foram ótimos, com especial atenção para quem interpretou a Dona Elvira e o Leporello (gostaria de saber seus nomes). As árias são cantadas em italiano, porém os recitativos foram todos traduzidos para o russo, o que  compromete a compreensão da estória para quem não conhece a ópera (sugiro ler uma sinopse antes do espetáculo). Não adianta comprar o programa, era em russo, por isso não sei o nome dos artistas! Valeu cada centavo!

Deixo os perrengues de Moscou para outro post.

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