Letônia, Estônia e Rússia: é perigoso?

Antes de entrarmos nessa aventura para alguns países que integraram a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (a URSS, lembram?), escutei aqui e ali algumas pessoas demonstrando espanto, surpresa e até uma certa repulsa pela nossa escolha. Escutei frases do tipo “mas lá é tão perigoso”,  “os russos são tão preconceituosos e racistas”, “ninguém fala inglês”, ou então perguntavam se eu era comunista (gargalhadas).

Placa da URSS na porta do Teatro Bolshoi, Moscou

Placa da URSS na porta do Teatro Bolshoi, Moscou

À exceção do último comentário, sobre o Comunismo – que eu até entenderia se tivesse vindo de uma pessoa idosa (o que não foi o caso) e reacionária – o restante dos argumentos, obviamente, conseguiu me deixar um pouco apreensivo em relação à viagem…

Decoração soviética no metrô de São Petersburgo.

Decoração soviética no metrô de São Petersburgo.

Nesse contexto, fui apresentado a um documentário do canal de TV à cabo Arte1, com o escritor Bernardo Carvalho (a quem admirava bastante), que escreveu o livro “O Filho da Mãe”, ambientado na cidade de São Petersburgo. Nesse programa, ele narra ter vivenciado uma cidade fria, cinza, perigosa e, inclusive, descreve que foi assaltado e que quase teve seu laptop furtado.

Para completar, um amigo que havia viajado anos atrás à Rússia, também percebeu a cidade de Moscou como perigosa, principalmente à noite.

Celular Letônia, Estônia e Rússia 472

Catedral de São Basílio, Moscou, à noite.

 

Praça da Catedral de Santo Isaque, Hotel Four Seasons, São Petersburgo, à noite

Praça da Catedral de Santo Isaac, Hotel Four Seasons, São Petersburgo, à noite

 

Colina de Toompea, Tallin, Estônia.

Colina de Toompea, Tallinn, Estônia.

Neurose e paranoia brabas instaladas!

Pois bem, anos atrás, quando sonhava viajar para o Leste, fiz várias pesquisas na internet sobre estes países, principalmente a Rússia, para me certificar da viabilidade da aventura. Uma breve leitura no Wikitravel Russia, nos capítulos Stay Safe / Stay Healthy pode ser suficiente para deixar uma pessoa de cabelo em pé… Primeiramente, eles alertam que negros e pessoas de pele mais trigueira (o que não é o meu caso) devem tomar precaução quando circularem pelas ruas de Moscou e, principalmente, de São Petersburgo porque existem gangues de neonazistas que podem atacar, mandam tomar cuidado contra as crianças de rua que podem assaltar, previnem contra o uso de taxis, narram o “golpe da carteira”, apontam que determinados subúrbios de Tallinn são perigosos, para tomar cuidado com os urla (termo pejorativo para designar a população letã de etnia russa, fanática por futebol)…

Aí, você resolve tirar a “prova dos 9” e começa a fazer pesquisas no Google do tipo “is it safe to travel to Russia?” e, obviamente, você começa a ler relatos de histórias pavorosas. Só que você fica sem visão crítica, primeiro porque esses relatos normalmente foram feitos por norte-americanos (povo notoriamente paranoico com segurança, que enxerga fantasmas em tudo quanto e lugar); segundo, porque normalmente as pessoas que sofreram esses problemas não tomaram as precauções mínimas ou por serem muito ingênuas e bobas, ou por estarem em locais pouco recomendáveis, ou por terem se exposto demasiadamente por conta de bebidas e de drogas; e em terceiro lugar porque eu moro no Rio de Janeiro.

Pois é, gente, fala sério! Quem mora em uma das capitais brasileiras vai realmente ter medo de circular pelas cidades europeias? Acorda!

Então, nada disso aconteceu. Não vimos gangues neonazistas (olha que estávamos na Rússia no período dito crítico para esses ataques, entre o aniversário do Hitler, 20 de abril, e a data da capitulação da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, dia 09 de maio), não nos deparamos com gangues de delinquentes infantis, circulamos à noite por Moscou, não vimos ninguém na Praça Vermelha ou na Praça do Palácio de Inverno tentando nos aplicar o golpe da carteira, encontramos pouquíssima gente bêbada, nem fomos achacados por policiais corruptos…

Decoração em comemoração ao fim da Grande Guerra Patriótica (Segunda Guerra Mundial), Edifício do Estado Maior, Praça do Palácio de Inverno, Sâo Petersburgo

Decoração em comemoração ao fim da Grande Guerra Patriótica (Segunda Guerra Mundial), Edifício do Estado Maior, Praça do Palácio de Inverno, Sâo Petersburgo

Veículos militares preparados para o desfile    em comemoração da vitória na Grande Guerra Patriótica, Rio Moika, São Petersburgo

Veículos militares preparados para o desfile em comemoração da vitória na Grande Guerra Patriótica, Rio Moika, São Petersburgo

O problema é que as escolhas durante a viagem acabaram pautadas por esse medo desproporcional. Por conta disso, utilizamos os serviços de uma agência especializada em roteiros para a Rússia a Tchayka, o que acabou deixando a viagem um pouco menos “independente”. Asseguro que o serviço de translado nos aeroportos e nas estações de trem, bem como o transporte de carro com chauffeur de Riga para Tallinn e desta cidade para São Petersburgo foram show de bola, foi um dinheiro que eu achei bem gasto.

Então, não caiam nessa besteira, se quiserem ler algo na internet sobre a Rússia e os bálticos, sugiro pesquisar blogs de viagens de brasileiros. Os brasileiros que têm interesse em viagem para esses destinos geralmente possuem relatos superinteressantes além de dicas preciosas.

Um dos blogs que encontrei por acaso ao digitar no Google “é perigoso viajar para a Rússia?” foi o Cadernos de Viagens, que mostra o quão segura as cidades são e que, além do relato de viagem interessante, tem links para diversos outros blogs de brasileiros que foram à terra de Tolstoi. Vale à pena conferir.

Também recomendo o blog da Adriana, o Dri Everywhere. Em relação à Rússia, a Adriana desenvolveu uma forma inusitada de ler o alfabeto cirílico, que ajuda a não nos perdermos na truncada Moscou.

A Camila é a autora do blog Viaggiando, que, além de ter feito uma viagem muito interessante nos países bálticos e na Rússia, também entremeia suas viagens com ótimas dicas literárias.

Nas próximas postagens farei um relato da viagem…

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Sobre andrerj75

Eu me chamo André. Sou morador do Rio de Janeiro. Desde pequeno, fui acostumado a viajar com os meus pais para países diferentes e a apreciar as mais diversas expressões artísticas e culturais, o que mantive de bom grado já adulto. Também, desde pequeno, ganhei um fascínio pelo estudo de História, que se acirrou à medida que os anos foram passando. Nesse contexto, sou frequentemente abordado por amigos e por conhecidos - às vezes até por pessoas estranhas - pedindo dicas de viagens e solicitando que eu tente organizar pequenos roteiros para ajudá-los em suas férias. Resolvi unir o útil ao agradável e dei início a este blog. Escreverei sobre as minhas viagens na tentativa de passar as minhas impressões sobre os lugares que conheci. Na medida do possível, darei dicas de hotéis, de restaurantes e de lugares para passear. Não tenho qualquer compromisso com a cronologia, escreverei sobre o que der vontade. Agradeço a participação de todos!
Esse post foi publicado em Dicas de Viagens, Estônia, Letônia, Moscou, Rússia, Riga, São Petersburgo, Tallinn. Bookmark o link permanente.

6 respostas para Letônia, Estônia e Rússia: é perigoso?

  1. Rodnei disse:

    Prezado Andre, gostei muito do seu blog! Você também organiza viagens para grupos pequenos? Parabéns. Abs .

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  2. Sergio disse:

    Confesso que essa paranóia bate mesmo… Depois desse relato, vou me animar! Fico aguardando as dicas de Leningrado (velhos comunistas não se conformam à volta dos antigos nomes).
    Se puder postar as dicas sobre a agência, as leituras que você fez antes de viajar e os trajetos, também vai ajudar bastante!
    Muito bom o texto, estou esperando os próximos!

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  3. Maria Nina disse:

    Estou atrasada na leitura. Mas gosto muito do seu jeito de narrar. Fico cada vez mais interessada em conhecer esses lugares. Confesso que me animei a conhecer o jeito de compreender o alfabeto cirílico. Para mim ele é uma barreira intransponível! Parabéns mais uma vez!

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    • andrerj75 disse:

      Obrigado!

      Uma viagem a esses países é um passeio que vale à pena, fico em dúvida em escolher qual dos três recomendaria mais.

      Em relação ao post em cirílico, estou pensando em como transpor a escrita cursiva para o blog, mas quero escrever o post sim.

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