Riga: primeiras impressões

Nós chegamos a Riga por volta das 23h de uma quinta-feira, em final de primavera. Nós fizemos nosso vôo pela KLM, com escala em Amsterdam. O trecho entre as capitais holandesa e letã foi realizado pela companhia aérea low cost, Air Baltic (acho que, apesar de low cost, é a única empresa de aviação da Letônia e, quiçá, dos Bálticos). Não sei se, porque tenho preferência no embarque, ou pelo fato de, no nosso caso, o trajeto ter sido feito em parceria com a KLM, não sentimos grandes diferenças no tratamento dispensado aos passageiros numa empresa de baixo custo. Enfim, é possível que tenha sido sorte também, vai saber…

Em contrapartida, enquanto aguardávamos o nosso embarque, no aeroporto de Schipol, ficamos observando os demais passageiros com uma certa curiosidade quase darwiniana. As pessoas na sala de espera tinham uma aparência bastante esquisita, roupas escuras (algumas sem cor definida, parecendo aquela roupa que, de tão suja, pegou a coloração da imundice, sabe mendigo?) e uma cara meio carrancuda, mas ao menos conversavam baixo. Nesse ponto, nos indagamos se estávamos realmente indo para um lugar legal. Não estaríamos rumando para uma cidade supersoviética, industrial, sem muito o que fazer após uma incursão antropológica? Ficamos apreensivos, pois iríamos ficar 3 dias na Letônia, o que poderia ser absurdamente excessivo, se houvesse apenas a “russian tristesse” para apreciar…

O vôo foi tranquilo e o desembarque sem maiores problemas (o aeroporto não tem finger), com exceção do frio: estava 0ºC! Tivemos um pequeno percalço para encontrar o motorista que iria efetuar o translado porque os nossos nomes estavam escritos errado (usaram o meu nome do meio, com uma grafia bizarra).

Por outro lado, a impressão que tivemos do hotel não foi nenhuma maravilha. Nós ficamos hospedados no Hotel Garden Palace. O hotel fica dentro de um pátio, provavelmente foi uma residência da elite nos tempos do Império Russo, que se transformou em uma habitação comunitária durante o período soviético. O hotel é qualificado como quatro estrelas, só que, nos países da Europa Ocidental, não mereceria mais do que duas. Seu lobby é decorado com móveis tentando imitar o estilo art nouveau, característico de Riga, mas de gosto mais ou menos duvidoso, com abuso de elementos dourados, estampas de animais… O corredor que levava ao nosso quarto, ao contrário, era bonito, com um aquecedor antigo, no estilo russo, coberto de azulejos decorados, lustres de bom gosto.

Corredor no Hotel Garden Palace

Corredor no Hotel Garden Palace, em Riga

Chauffage no corredor do Hotel Garden Palace, em Riga

Chauffage no corredor do Hotel Garden Palace, em Riga

Mas aí nos deparamos com as duas opções de quarto que nos ofereceram (infelizmente, não fotografei): uma com cama de casal, mas que fedia a algo podre, e a outra com duas camas de solteiro, dispostas uma de frente para a outra com os pés se tocando… Bizarro! Acabamos optando pelas camas separadas. O quarto era decorado com móveis antigos (naquele contexto, eu diria velhos), de madeira pesada, que poderiam ser bonitos em outra disposição. O banheiro também era minúsculo e, apesar de reformado e aparentemente limpo, tinha um cheiro estranho. Solicitamos a troca de quarto, mas fomos informados que o hotel estava lotado. Encontrei uma garrafa de água mineral semi-utilizada debaixo da cama. Enfim…

De qualquer modo, o staff do hotel foi impecável e o café da manhã era excepcional! Mas o melhor do hotel fica por conta da sua localização, do lado da praça da prefeitura (Ratslaukums), onde fica a Casa dos Cabeças Negras (Rīgas Melngalvju namsHouse of Black Heads) e na esquina da Igreja de São Pedro (Sveta Petera Baznica), o principal cartão postal da cidade, no coração da Cidade Velha. O hotel fica também bastante próximo à estação de trem da cidade e ao Mercado Central (Central Tirgus).

Ratlaukums. Ao fundo, torre da Basílica de São Pedro, em Riga.

Ratlaukums. Ao fundo, torre da Igreja de São Pedro, em Riga.

Casa dos Cabeças Negras (direita), em Riga

Casa dos Cabeças Negras (direita), em Riga

A despeito desses pequenos percalços, a cidade não nos decepcionou. Muito pelo contrário! É uma cidade belíssima, que une tanto a arquitetura medieval, quanto do final do século XIX, início do século XX. Mas isso fica para outro post…

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Sobre andrerj75

Eu me chamo André. Sou morador do Rio de Janeiro. Desde pequeno, fui acostumado a viajar com os meus pais para países diferentes e a apreciar as mais diversas expressões artísticas e culturais, o que mantive de bom grado já adulto. Também, desde pequeno, ganhei um fascínio pelo estudo de História, que se acirrou à medida que os anos foram passando. Nesse contexto, sou frequentemente abordado por amigos e por conhecidos - às vezes até por pessoas estranhas - pedindo dicas de viagens e solicitando que eu tente organizar pequenos roteiros para ajudá-los em suas férias. Resolvi unir o útil ao agradável e dei início a este blog. Escreverei sobre as minhas viagens na tentativa de passar as minhas impressões sobre os lugares que conheci. Na medida do possível, darei dicas de hotéis, de restaurantes e de lugares para passear. Não tenho qualquer compromisso com a cronologia, escreverei sobre o que der vontade. Agradeço a participação de todos!
Esse post foi publicado em Companhia aérea, Dicas de Viagens, Hotel, Letônia, Riga. Bookmark o link permanente.

3 respostas para Riga: primeiras impressões

  1. Wanessa disse:

    Oi, André!
    Passei aqui para retribuir a visita e já encontro seu relato sobre Riga! Quero muito visitar essa cidade, principalmente por causa da arquitetura art nouveau, estilo que adoro e que é tão comum por lá. Vou continuar acompanhando seus relatos!
    Um abraço

    Curtir

  2. Pingback: Peterhof – a versão de Pedro, o Grande, para o Palácio de Versailles | Viagenzinha, hein!

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