Riga – Tempo de permanência, restaurantes, teatros e passeios que não fizemos

Para finalizar o relato sobre a cidade, acho interessante indicar outras atividades que podem ser divertidas de se fazer na capital da Letônia.

Antes de iniciar o texto propriamente dito, tomo a liberdade de explicar o porquê de eu ter mencionado nos outros posts que Riga é uma capital ocidental no Leste. Fiz esta alusão, porque, de fato, você não encontra na cidade nenhum dos percalços que a maioria dos viajantes relata quando viaja para destinos menos comuns do Leste Europeu. As pessoas falam inglês como nas capitais ocidentais (não tão bem quanto na Holanda, mas muito melhor do que na Itália ou em que em certos lugares da França e da Espanha), algumas falam francês e alemão; apesar de ser uma cidade relativamente pequena (cerca de 800.000 habitantes), ninguém repara em você (dá para cair no anonimato); as ruas são bem conservadas, limpas e o transporte público aparentemente funciona; não existe sensação alguma de insegurança, nem pessoas tentando passar a perna no turista (que existe no ocidente) a própria arquitetura da cidade não destoa muito do que você encontra em outras capitais europeias mais em voga, tanto que ela era utilizada pelos soviéticos como um cenário ocidental em seus filmes. Porém tudo isso sem tirar a personalidade da cidade, muito pelo contrário.

Tempo de permanência na cidade

Na minha opinião, dois dias inteiros são mais do que suficientes para você explorar a cidade com calma.

Nós saíamos todos os dias cedo, antes das 10h, e, por volta das 16h, retornávamos ao hotel para descansar e saíamos de novo entre 18-19h, ainda com o dia claro, para os últimos passeios do dia e para jantar.

Adicione ainda meio dia para uma ida de carro ao Parque Nacional de Gauja (se for de transporte público e for do intuito fazer mais trilhas, visitar as outras grutas e ruínas, sugiro reservar um dia inteiro) e outra manhã prolongada para o passeio de trem a Jurmala.

Acredito que um dia inteiro também seria necessário para visitar o Palácio de Rundale, mas, como não fomos, fica apenas na suposição.

Ópera

Nesse contexto, se o foco da sua viagem for cultural – o que eu acredito, pois não acho que nenhum turista brasileiro irá se despencar do Brasil à Letônia para se esbaldar numa praia do Mar Báltico, aproveitando o calor de 19ºC (em um dia quente) e uma “brisa amena” – HAHAHAHAHAHAHA, enfim… -, você pode se interessar em assistir a algum ballet ou ópera, na Ópera Nacional Letã (Latvijas Nacionālā Opera). De um modo geral, quando viajo à Europa, sempre me programo para assistir a pelo menos uma récita de ópera e a um ballet. Quando preparávamos esta viagem, fizemos o dever de casa e pesquisamos os espetáculos disponíveis no site e nada havia me interessado fortemente, mas, chegando em Riga, nos pareceu uma bobagem perder a oportunidade de, ao menos, conhecer o teatro por dentro, mesmo que o espetáculo pudesse ser cacete.

Assim, procuramos o concierge do hotel pedindo informações. Alguns hóspedes nos ouviram alertaram que valeria mais à pena irmos nós mesmos ao teatro e comprarmos diretamente na bilheteria, pois era fácil e a bilheteira falava inglês. Nos dirigimos até o teatro (não tem como errar, é um prédio grande, parecidíssimo com o Teatro Bolshoi, em Moscou, situado num dos extremos da Bastejkalns (a grande área verde que separa a Cidade Velha dos demais bairros). Vimos que ainda havia lugares disponíveis na plateia para apresentações da ópera “Lucia de Lamermoor”, para o mesmo dia (não, obrigado, estávamos exaustos) ou para “Otello”, no dia seguinte. Não tivemos dúvida: íamos assistir à ópera de Verdi! Que máximo! Cada ingresso a 20€ para a plateia (tão mais barato do que os 200£, que tentaram cobrar no Covent Garden, ou mesmo os 120€ do Opéra Royal,  em Versailles, ou os 4.500 rublos para o Bolshoi…), show! Ledo e caterino engano!

No dia seguinte, percebemos que havíamos adquiridos bilhetes para assistir a “Otello”, mas um ballet coreografado por uma companhia letã. Decepção, sim, mas até aí tudo bem! O problema é que, tirando os bailarinos principais (o que interpretava o Yago era muito bom dançarino), o corpo de baile era muito fraco. Isso sem contar que o Otello era branco e que não havia orquestra, a música era pré-gravada. Não foi ruim, mas longe de ser uma grande coca-cola!

Programa do ballet "Otello", na Ópera Nacional Letã - propaganda enganosa, o Otello não era negro na montagem

Programa do ballet “Otello”, na Ópera Nacional Letã – propaganda enganosa, o Otello não era negro na montagem

Apresentação do ballet "Othello", na òpera Nacional Letã

Apresentação do ballet “Otello”, na Ópera Nacional Letã

Ópera Nacional Letã

Ópera Nacional Letã

Teto do salão principal da Ópera Nacional Letã

Cúpula do salão principal da Ópera Nacional Letã

Algo interessante a se fazer nessas ocasiões é people watch, observar as pessoas, analisar como elas se vestem e se comportam pode ser realmente divertido. No caso da ópera em Riga, o público tende a ir um pouco mais arrumado – o que não significa chique. Havia uma mulher com um bolerinho e uma boina de estrasse à la novela “Dancin’ Days”; vimos um russo que armou um certo barraco porque ele queria sentar na frente de um dos camarotes vestido com um terno cor de tijolo (#medo); havia também um quarentão, que aparentava ser muito distinto ao trajar um smoking, mas que, quando passou por nós percebemos que seu paletó estava mais do que surrado e puído, além de que estava calçando um tênis branco que ele afanou do mendigo na esquina; também nos deparamos com um casal rock’n roll, que devia ter vindo diretamente de algum bar de wakkos em Camden Town, que cobria as suas vergonhas com uma camiseta do Metallica e outra do Anthrax – HAHAHAHAHAHAHAHAHA.

O que eu quero dizer, é que você pode se vestir da maneira que quiser, que NINGUÉM não está nem aí! Para homens, se você não quiser destoar muito do que se usaria para esse tipo de evento, sugiro comprar um blazer de lã (eu uso um cinza que eu combino com uma calça chino ou de veludo), uma gravata e um sapatênis (levar um sapato social para viajar acho meio trambolho, salvo se você realmente for frequentar). Só não aconselho a levar casacos muito pesados (salvo se estiver muito frio), porque eles serão mandatoriamente guardados na chapelaria, e aí tem que enfrentar fila, confusão… Outro ponto importante de se notar: a sala e a antessala são quentíssimas (viajamos no início de maio, no exterior, devia estar fazendo entre 0ºC e 5ºC, mas lá dentro devia estar facilmente entre 22ºC e 25ºC).

Restaurantes

Eu não tenho por hábito fotografar comida, eu me sinto meio estranho apontando uma máquina fotográfica ou um celular para um prato cheio e dando um clique. Acho que fiquei com má impressão, pois a primeira vez que presenciei algo do gênero, foi em Paris, em 2009, quando, verde de fome, sentei num bar qualquer do Boulevard Saint-Michel (coisa para turista mesmo, ruim pacas e sabia que seria assim) e vi umas chinesas fotografando uns pratos, como se fossem haute cuisine, às gargalhadas… Achei aquilo tão bizarro, que passei a não achar comida alguma merecedora de uma foto. Excepcionalmente, posso até tirar… mas prefiro evitar.

No dia que chegamos, acabamos jantando no restaurante do hotel e, para não ter susto, pedimos comida italiana, estava bom, mas nada demais.

Nos outros dias, nós fomos aos seguintes restaurantes:

1) Yolo – um bar descolado, lembra bastante o National Geographic Bar na decoração, que à noite vira boite. Fomos para almoço e a comida era gostosa (eu tomei uma sopa) com preços ótimos. Foi uma sugestão da guia que nos levou para Sigulda, Turaida e Krimulda, o bar pertence ao irmão dela.

2) Neiburgs Restorans –  fica num hotel de mesmo nome e serve comida tipicamente letã. Eu comi carne de cordeiro acompanhada de um mix de champignons e de purée de batata inglesa. Não é barato, mas também nada exorbitante, principalmente se você comparar com os preços praticados no Rio de Janeiro…

3) 3 Pavaru Restorans –  se não me engano, pavaru significa cozinheiro, chef, em letão.´O restaurante fica encostado às antigas muralhas da Cidade Velha de Riga, um local lindo. Em princípio, não era a nossa primeira opção para jantar, pois o restaurante parecia ser muito posh, mas o simpático garçom que nos recebeu na porta, quando saímos para procurar outro local, nos deu um “see you later”, com a certeza de que iríamos retornar. Estava fazendo um frio animal e ventava muito, fora que já era tarde (estava anoitecendo, ou seja, devia ser quase 22h), acabamos realmente nos rendendo ao restaurante hype e foi bem legal! Aparentemente, cada um dos três chefes é responsável por um determinado segmento da cozinha. O curioso deste restaurante é que eles servem as entradas diretamente no jogo americano, sem pratos. Explicando: o garçom vai à sua mesa e espalha uma série de molhos sobre um jogo americano descartável feito de um papel impermeável. A disposição dos molhos é feita propositalmente para aparentar um quadro de arte abstrata (a mim, lembrou uma criação do Manabu Mabe ou do Jackson Pollock). Você vai passando os amuse bouches diretamente sobre os molhos e vai comendo. É curioso, bastante diferente, um pouco blasê, devo admitir. Nesse lugar, eu pedi um steak de atum, que vinha acompanhado de feijões de diversas espécies servidos semicozidos, para os quais eu não me atentei ao fazer o pedido. O atum estava delicioso, mas, quem me conhece, sabe que feijão não é mesmo a minha praia. Acabei comendo, porque, realmente sou uma pessoa que gosta de experimentar coisas novas, mas eu reconheço que pedi mal.

4) Bar & Restaurant Petergailis – restaurante simpático, comida letã bem gostosa (eu tomei uma sopa deliciosa e comi uma torta de amoras), mas um serviço absurdamente confuso. Esclareço: tentamos pagar a conta em um único cartão, afinal, éramos um casal, enfim… Aparentemente isso era impossível naquele lugar. Após esperarmos um tempão (já era bem tarde e teríamos que acordar no dia seguinte cedo para viajarmos para Tallinn), fomos reclamar com a garçonette, que, sem maiores explicações, disse que a conta tinha que ser paga em cartões separados (oi?!), sendo que ela já tinha levado anteriormente um deles, que ela estava devolvendo naquele momento, sem nenhum comprovante de que não havia feito a cobrança. Bizarro! Reclamamos, mas pagamos da maneira que eles pediram (acabou não havendo duplicidade de pagamento em nossa fatura), só que tudo pareceu muito estranho. Nesse lugar, eu experimentei o kvass, que aparentemente é a bebida nacional letã, que desbancou por lá a coca-cola… Parece que é feita de cevada, no primeiro gole é meio doce, parece um pouco com caramelo, depois ela vai amargando na boca. Eles serviram um copázio, tomei quase a metade, mas não aguentei, realmente não estava a fim de “chamar o raul” no banheiro do restaurante.

Por fim, convém acrescentar que Riga é famosa por sua night. Nós não fomos, mas passamos por diversos locais em que festinhas cheias de jovens em que o som alto bombava.

Programas que ficaram faltando

No dia em que viajamos para Sigulda, ao passarmos pela principal avenida da cidade, a Brivibas iela (brivibas significa liberdade) – que também já se chamou Adolf Hitler Alee e Lenin Prospekt, nos tempos de ocupação nazista e soviética – a nossa guia nos indicou que o antigo quartel general da KGB na Letônia (onde funcionou também a sede da polícia, após a queda da URSS), estava sendo aberto como museu. Infelizmente, não deu tempo para ir.

Também não fomos ao Museu da Ocupação, em frente ao hotel, mas estava fechado para reformas.

Não visitamos, igualmente, o Rundales Pils, um palácio com o qual a czarina Catarina II, a Grande, presenteou a um de seus amantes, que pode ser feito em uma daytrip de Riga. Como iríamos a São Petersburgo, e visitaríamos Tsarkoye Selo e Petrodvorets, preferimos gastar nosso último dia numa viagenzinha de trem para Jürmala, na costa do Mar Báltico, mas isso fica para um outro post.

Motivos não faltam para voltarmos!

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Sobre andrerj75

Eu me chamo André. Sou morador do Rio de Janeiro. Desde pequeno, fui acostumado a viajar com os meus pais para países diferentes e a apreciar as mais diversas expressões artísticas e culturais, o que mantive de bom grado já adulto. Também, desde pequeno, ganhei um fascínio pelo estudo de História, que se acirrou à medida que os anos foram passando. Nesse contexto, sou frequentemente abordado por amigos e por conhecidos - às vezes até por pessoas estranhas - pedindo dicas de viagens e solicitando que eu tente organizar pequenos roteiros para ajudá-los em suas férias. Resolvi unir o útil ao agradável e dei início a este blog. Escreverei sobre as minhas viagens na tentativa de passar as minhas impressões sobre os lugares que conheci. Na medida do possível, darei dicas de hotéis, de restaurantes e de lugares para passear. Não tenho qualquer compromisso com a cronologia, escreverei sobre o que der vontade. Agradeço a participação de todos!
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