Jūrmala – o balneário letão no Mar Báltico

No último dia em Riga, ficamos na dúvida se permanecíamos na cidade para visitar os monumentos faltantes, ou seja, o recém-aberto Museu da KGB, o Museu Nacional de Arte Letã e o Museu da Ocupação /Latvijas Okupācijas Muzejs (que, durante a reforma de sua sede – ao lado do nosso hotel -, estava funcionando no local onde são exibidas exposições temporárias), ou se pegávamos uma day trip para Jūrmala, ou para o palácio de Rundale / Rundales Pils, ou se daríamos uma esticadinha até a Lituânia para conhecer a Colina das Cruzes. Acabamos abandonando a ideia dos museus (o de Arte Letã e o da Ocupação estavam temporariamente fechados), havíamos programado um museu da KGB para Tallinn e, como já esclarecido em postagem anterior, preferimos deixar a visita de palácios barrocos para São Petersburgo. Quanto à Colina das Cruzes, apesar do lugar parecer fantasmagoricamente interessante, ficamos apreensivos de fazer uma viagem relativamente demorada para passar uma hora no local e depois voltar, a ponderação sensata não foi minha, tenho que admitir (passeios em que você passa a maior parte do tempo no deslocamento podem ser muita furada). A visita ao local é um détour ideal para quem vai da Lituânia para a Letônia de carro ou ônibus (porque o lugar também não fica próximo de Vilnius ou de Kaunas, as principais cidades lituanas).

Acabamos optando por um ótimo e rapidinho passeio de trem a Jūrmala (pronuncia-se yúrmala). Jūrmala é o nome da localidade, mas a palavra em letão significa praia, tout court! Para turistar no local, não há necessidade de grandes estratégias. Em primeiro lugar, você precisa saber que a estação de destino se chama Majori (leia-se mayori). Com esta informação na cabeça, basta se dirigir à estação de trem – não precisa comprar com antecedência, pois diversos trens partem naquela direção ao longo do dia – e verificar no painel os horários e a plataforma dos trens e dirigir-se à bilheteria. Nós compramos um bilhete ida-e-volta sem horário definido (não nos pergunte como, mas a velhinha da bilheteria percebeu que nós éramos turistas sem bagagens e deduziu corretamente que retornaríamos a Riga, o inglês dela era quase inexistente). Acredito que o horário livre seja disponível em qualquer momento do dia, pois a cidade é uma espécie de subúrbio sofisticado de Riga. Também não é nenhum mistério descobrir onde fica a Estação Central de Riga (Rīgas Centrālā dzelzceļa stacija), ela está situada perto do Mercado Central, na 13. Janvara iela, num prédio em frente de onde funciona uma filial da loja de departamentos finlandesa Stockmann (bastante difundida nos Países Bálticos e na Rússia). É importante mencionar que a travessia da avenidona é feita por passagens subterrâneas.

O trajeto é feito em uma composição ferroviária da época soviética, batente muito alto (precisei de ajuda de mais de uma pessoa para subir), muito velho, mas supercharmoso. O trem não é dos mais velozes e a viagem dura cerca de 40 min. Chegando em Majori, se aqui não for o ponto final da composição, é bom se apressar e não demorar para saltar, pois o trem não fica muito tempo parado. A estação de Majori também é outra reminiscência da era soviética, você cruza os trilhos para atravessar, pois não tem passarela, e me lembrou um pouco a ambientação de alguns filmes do saudoso cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (“A Liberdade é Azul”, “A Igualdade é Branca”, “A Fraternidade é Vermelha”,  “A Dupla Vida de Véronique”…), de um sombrio charmoso! Se você comparar com a Central do Brasil ou com o metrô carioca nos horários de rush, a rudeza soviética parece luxo!

Estação de Majori (Jūrmala)

Estação de Majori (Jūrmala)

Vista da estação de trem de Majori (Jūrmala)

Vista da estação de trem de Majori (Jūrmala)

Vista da estação de Majori (Jūrmala)

Vista da estação de Majori (Jūrmala)

Trem soviético em Majori (Jūrmala)

Trem soviético em Majori (Jūrmala)

 

"Conforto" no trem soviético

“Conforto” no trem soviético

Caso faça uma singela pesquisa no Google com o nome Jūrmala, terá em suas mãos um sem número de reportagens sobre a cidade, informando, inclusive, que ela é um dos destinos preferidos pelo pessoal “gente boa” da máfia russa, e que a cidade já esteve algumas vezes na mira da Interpol. Essa situação em nada irá afetar a sua viagem, salvo se você tiver envolvido diretamente com os mafiosos (e aí, eu ficaria apreensivo, e muito, se fosse você), não há o que se preocupar.

Ao descer da estação, basta seguir as placas com indicação da praia (jūrmala, com letra minúscula), se não me engano tem indicação também em inglês. A praia em si me lembrou um pouco… a Bahia:

– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA – debochará você.

– Calma, que eu explico – direi eu.

A praia é de areia branquinha, superfininha, com vegetação cercando-a, sem grandes construções ou demarcações de “praias privadas”, além de um vento forte. Nesses particulares, lembrou-me as partes mais ermas de  Trancoso e de Morro de São Paulo, só que ao invés de um mar clarinho, verdinho, o Báltico é de um azul bem escuro e a vegetação não é composta de palmeiras, amendoeiras e coqueiros, mas sim de pinheiros e de coníferas. Tampouco você tem uma temperatura de 30ºC à sombra, mas algo em torno de 0ºC no sol! rsrsrsrsrs

Jūrmala

Jūrmala

Jūrmala

Jūrmala

Jūrmala

Jūrmala

Jūrmala spa

Jūrmala spa

Jūrmala

Jūrmala

Apesar da primavera, estava fazendo algo em torno de 5ºC e ventava bastante, mesmo assim, alguns “cocôs valentes” se aventuravam a ficar sem camisa e apanhar sol e, pasmem, cair na água, fazendo companhia às gaivotas… Bem louco! Outra curiosidade, o Mar Báltico é muito pouco salgado pelo que eu pude provar.

A praia possui diversos bancos espalhados na areia e também alguns banheiros mais ou menos improvisados, mas bastante razoáveis em termos de conforto e de limpeza. O que é mais desagradável no passeio é que o seu tênis e a sua meia ficam atolados de areia! Como a areia é muito fina, ela passa pelos tecidos, um saco, mas não dava para ficar descalço.

O interior da cidade é bonito, mas sem grandes atrativos, fora algumas casas de madeira que datam do início do século XX, como o Beach Spa, retratado acima e o restaurante abaixo (onde, por sinal, estava tocando uma excepcional trilha sonora só de música dos Beatles):

Restaurante na Juras iela, Jurmala

Restaurante na Juras iela, Jurmala

Na Jomas iela, além de uma série de restaurantes, a rua abriga também uma feirinha de artesanato, onde você pode encontrar desde doces e compotas típicas da Letônia, até chapéus de pele, além de jóias e de objetos feitos de âmbar (na costa do Mar Báltico se encontra uma das maiores reservas de âmbar do mundo). Eu comprei um brinco e um anel de prata e âmbar para presentear a minha mãe, aparentemente a pedra do anel caiu, então, não sei se vale à pena. Por incrível que possa parecer, nesta feirinha, você não encontra nenhum argentino vendendo anéis de prata, utensílios de couro ou produtos feitos de linha HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. Mas, no geral, você acha as mesmas espécies de bugingangas que qualquer “mercado” como esse no mundo tem em exposição.

Quanto aos restaurantes, nós tomamos um café e comemos um docinho num elegante estabelecimento dirigido por russos, o Brasserie Estrade, serviço muito bom e o garçom russo falava um ótimo inglês. Nós almoçamos comida uzbeque, deliciosa no restaurante Uzbekistana! Ela lembra um pouco a comida turca (sem o iogurte salgado) e a árabe (mas com mais molho), aprovadíssima!

Na volta, acabamos dando um passeio pelo Mercado Central de Riga, que fica próximo à estação de trem. Ele é composto de cinco ou seis galpões enormes, cada um dedicado a uma espécie de mercadoria: um para peixes, outro para embutidos, outro para carne animal, outro para a pâtisserie… É interessante para ter contato com a realidade do povo riguês, fora que também é uma boa oportunidade para provar um sanduichinho aqui, um docinho ali… Ainda bem que, nas férias nos movimentamos muito, né?

Na saída do Mercado, nós passamos em frente ao prédio de arquitetura gótica stalinista, onde funciona a Latvijas Zinātņu Akadēmija, a Academia Letã de Ciências. O prédio lembra muito os chamados “Sete Irmãs”, de Moscou, só que em escala bem menor, mas não menos bonito!

Latvijas Zinātņu akadēmija / Academia Letã de Ciências

Latvijas Zinātņu akadēmija / Academia Letã de Ciências

Com isso, acabaram os relatos sobre a Letônia, que venha a Estônia!

Anúncios

Sobre andrerj75

Eu me chamo André. Sou morador do Rio de Janeiro. Desde pequeno, fui acostumado a viajar com os meus pais para países diferentes e a apreciar as mais diversas expressões artísticas e culturais, o que mantive de bom grado já adulto. Também, desde pequeno, ganhei um fascínio pelo estudo de História, que se acirrou à medida que os anos foram passando. Nesse contexto, sou frequentemente abordado por amigos e por conhecidos - às vezes até por pessoas estranhas - pedindo dicas de viagens e solicitando que eu tente organizar pequenos roteiros para ajudá-los em suas férias. Resolvi unir o útil ao agradável e dei início a este blog. Escreverei sobre as minhas viagens na tentativa de passar as minhas impressões sobre os lugares que conheci. Na medida do possível, darei dicas de hotéis, de restaurantes e de lugares para passear. Não tenho qualquer compromisso com a cronologia, escreverei sobre o que der vontade. Agradeço a participação de todos!
Esse post foi publicado em Ar livre, Compras, Dicas de Viagens, Entretenimento, Jūrmala, Letônia, Mercado, Praia, Riga e marcado . Guardar link permanente.

5 respostas para Jūrmala – o balneário letão no Mar Báltico

  1. Sergio disse:

    Você acha viável fazer esses passeios de carro, por conta própria? Vi que vocês cogitaram ir à Lituânia, como são todos países da Conunidade Européia, imagino que não deve haver formalidades na fronteira, o importante é saber se a sinalização é minimamente compreensível.

    Curtir

    • andrerj75 disse:

      Sim. Ia colocar justamente esta informação. Na Letônia e na Estônia não existem auto-estradas, apenas estradas secundárias, muito bem conservadas por sinal. Na Lituânia, o nosso chauffeur informou existir auto-estradas. Acho que o trajeto no Báltico pode ser feito em carro particular, a sinalização é no padrão internacional. Mas eu não dirigiria na Rússia, estradas ruins, policiais rodoviários com fama de corruptos…

      Curtir

    • andrerj75 disse:

      Esclarecendo, o passeio à Lituânia seria feito através de uma agência conveniada ao hotel, em tour privado.

      Curtir

Você gostou? Quer acrescentar alguma informação? Deixe um comentário.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s