São Petersburgo – Suas famosas “Catedrais” – Parte III

Após uns dias de recesso blogueiro, estou de volta com a saga cristã ortodoxa…

Comme par hasard, antes de entrar no tema do post propriamente dito, farei minha breve dissertação. Hoje, darei uma pequena explicação sobre a estrutura interna das igrejas ortodoxas.

Contrariamente ao que acontece no Cristianismo Católico e no Cristianismo Protestante, durante as missas nas Igrejas Ortodoxas, os fiéis permanecem o tempo todo de pé ou de joelhos (há um provérbio proclamando que, quanto maior o seu pecado, maior o tempo em que você passa de joelhos rezando, enfim…).

Quanto à disposição da igreja, normalmente, elas são construídas no formato daquela cruz simétrica (a cruz grega). O altar fica atrás da iconostase (uma parede contendo imagens pintadas de santos e de passagens da Bíblia; existe uma ordem na apresentação da iconostase, segundo a hierarquia dos santos e a importância das passagens bíblicas retratadas – confesso que não consigo lembrar – mas que é relevante, por exemplo, para se verificar se uma iconostase é original, se pertence a uma determinada igreja, se é uma réplica…). Esta parede que protege o altar possui três portas, a Porta Real, que fica no meio, pela qual só podem passar os membros do clero e duas portas laterais. As portas só ficam abertas durante os serviços religiosos, pois a parte protegida da igreja representa o Céu, a que os fiéis não têm acesso (pelo menos em vida), mas que podem vislumbrar; a nave seria a vida terrena e a parede oposta ao altar o inferno (nas igrejas mais antigas, há belíssimas pinturas do Juízo Final), simbolizando que a vida fora da igreja seria um caminho ao pecado.

Nas igrejas de São Petersburgo, como já esclarecido, essa disposição não é seguida tão à risca.

Catedral de Nossa Senhora de Kazan

O czar Paulo I – que foi uma das pessoas mais feias que já pisou na face da Terra e que era filho da Imperatriz Catarina II, a Grande – comissionou a construção desta catedral nos primeiros anos do século XIX.

Retrato do czar Paulo I por Stepan Schchkin - Museu Hermitage - http://www.hermitagemuseum.org/html_En/03/hm3_6_5a.html

Retrato do czar Paulo I por Stepan Schchkin – Museu Hermitage – http://www.hermitagemuseum.org/html_En/03/hm3_6_5a.html

A igreja foi construída na Nevsky Prospekt, no início do século XIX, tendo como modelo a Basílica de São Pedro do Vaticano, fato este que desagradou bastante a cúpula da Igreja Ortodoxa. Acredita-se que a ideia era a de construir uma outro templo igual do outro lado da avenida de forma a haver uma harmoniosa simetria na principal via de São Petersburgo (mais ou menos como ocorre em Berlin, na praça Gendarmemarkt, com a Catedral Alemã e a Catedral Francesa, que são iguais, e foram construídas uma em frente à outra).

Nessa catedral encontram-se os restos mortais do general Kutuzov, responsável pela derrota das tropas francesas de Napoleão I, na Grande Guerra Patriótica.

Com a ascensão do Comunismo, a Catedral foi fechada e, posteriormente, transformada no Museu da História da Religião e do Ateísmo, tendo seus serviços retornado com a queda da URSS. Hoje em dia é a principal catedral de São Petersburgo. Logo, fotos no seu interior são estritamente proibidas.

O interior da igreja é todo muito escuro e sóbrio e, como ela foi construída no formato da cruz católica, sua nave vazia dá uma impressão de imensidão incrível. As colunas são feitas em mármore da Karélia, mas diferentemente da Catedral de Santo Isaac, não foram feitas em um único bloco.

Catedral Nossa Senhora de Kazan - São Petersburgo

Catedral Nossa Senhora de Kazan – São Petersburgo

Catedral Nossa Senhora de Kazan - São Petersburgo - vista lateral do Canal Griboyedova

Catedral Nossa Senhora de Kazan – São Petersburgo – vista lateral do Canal Griboyedova

Catedral Nossa Senhora de Kazan - São Petersburgo

Catedral Nossa Senhora de Kazan – São Petersburgo

Catedral e Convento de Smolny

A construção deste complexo religioso foi determinada pela Imperatriz Elizabeth Petrovna, filha do czar Pedro I, o Grande, ao arquiteto Francesco Bartolomeo Rastrelli, no século XVIII. O intuito da imperatriz era o de tornar-se freira, quando fora destituída do seu direito ao trono pelo czar Ivan VI (não é o “Terrível”, este é o Ivan IV, que não era da dinastia Romanov). Todavia, o Ivan VI foi vítima de um golpe de estado, que restituiu à Elizabeth Petrovna, seu direito a governar o Império Russo. Sendo assim, ela jamais residiu entre as paredes do convento.

Atualmente, a igreja funciona como uma sala de concertos e os prédios em que funcionava o convento abrigam repartições públicas diversas e parte da Universidade Estadual de São Petersburgo. Pena que não havia nenhuma apresentação na igreja quando estivemos na cidade, a guia nos disse que o seu interior é todo branco. Acredito que a falta de decoração interna da igreja tenha sido causada pela morte da Imperatriz Elizabeth com a ascensão de Catarina II, a Grande, que não se interessou em concluir a obra.

Nós fomos acompanhados na visita destas Catedrais pela nossa guia, Anna Rudaya, e estávamos de carro. A Catederal de Smolny fica um pouco longe do centro de São Petersburgo, seu acesso é melhor de carro ou de taxi (sempre é possível caminhar, mas haja perna!).

Catedral e Convento de Smolny - São Petersburgo

Catedral e Convento de Smolny – São Petersburgo

Catedral e Convento de Smolny - São Petersburgo

Catedral e Convento de Smolny – São Petersburgo

Catedral de Smolny - São Petersburgo

Catedral de Smolny – São Petersburgo

Catedral de Smolny - São Petersburgo

Catedral de Smolny – São Petersburgo

Eu achei esse lugar realmente bonito! A imagem aérea da Catedral e do Convento é beeeem legal! A igreja fica perto do prédio da DUMA (o Parlamento russo), que foi palco de boa parte das decisões que culminaram na Revolução de Outubro de 1917.

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Sobre andrerj75

Eu me chamo André. Sou morador do Rio de Janeiro. Desde pequeno, fui acostumado a viajar com os meus pais para países diferentes e a apreciar as mais diversas expressões artísticas e culturais, o que mantive de bom grado já adulto. Também, desde pequeno, ganhei um fascínio pelo estudo de História, que se acirrou à medida que os anos foram passando. Nesse contexto, sou frequentemente abordado por amigos e por conhecidos - às vezes até por pessoas estranhas - pedindo dicas de viagens e solicitando que eu tente organizar pequenos roteiros para ajudá-los em suas férias. Resolvi unir o útil ao agradável e dei início a este blog. Escreverei sobre as minhas viagens na tentativa de passar as minhas impressões sobre os lugares que conheci. Na medida do possível, darei dicas de hotéis, de restaurantes e de lugares para passear. Não tenho qualquer compromisso com a cronologia, escreverei sobre o que der vontade. Agradeço a participação de todos!
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