São Petersburgo – Palácio Yussupov

Se você for passar pouco tempo em São Petersburgo e só puder visitar um único museu – eu não estou incluindo as catedrais secularizadas neste conselho, ok? – a minha melhor sugestão é que vá ao Palácio Yussupov. Obviamente, o Hermitage é imperdível, mas nem todo mundo curte “museuzão” e visitá-lo correndo, só para ticar a checklist, na minha opinião, é uma bobagem. Melhor aproveitar o seu tempo ao invés de desperdiçá-lo.

Palácio Yussupov - São Petersburgo

Palácio Yussupov – São Petersburgo

O palácio fica na fronteira entre os distritos de Sennaya e Kolomna, às margens do rio Moika, em um lugar bastante elegante da antiga capital imperial.

Rio Moika - nas proximidades do Palácio Yussupov - São Petersburgo

Rio Moika – nas proximidades do Palácio Yussupov – São Petersburgo

Margens do rio Moika - em frente ao Palácio Yussupov - São Petersburgo

Margens do rio Moika – em frente ao Palácio Yussupov – São Petersburgo

Construído no século XVIII, o palácio foi adquirido pela riquíssima família Yussupov (Юсупов) em 1830, tornando-se sua residência oficial em São Petersburgo, até a Revolução de Outubro, em 1917, quando os últimos membros da família se exilaram do país ante a ascensão ao poder do regime Comunista.

Os Yussupov eram uma família extremamente rica e influente do Império Russo e que regularmente vinham servindo aos monarcas, desde a época de Ivan IV, o Terrível. Os Yussupov inclusive prestaram auxílio aos czares da dinastia Romanov na aquisição de obras de arte para a decoração dos palácios imperiais, como os de Tsarskoye Selo, de Gatchina… Por exemplo: o Príncipe Nikolai Borissovitch Yussupov, que viveu na primeira metade do século XIX, era um homem iluminista, amigo do Voltaire e do Diderot, possuindo uma invejável cultura e era consultado pelo czar nesses assuntos. Por conta dessa influência a família adquiriu o título nobiliárquico de príncipes, desde o final do século XVII.

Uma visita ao palácio mostra com precisão a riqueza e o luxo dos nobres da Rússia do século XIX. A residência é abusivamente e suntuosamente bem decorada, não ficando a dever a nenhum dos palácios imperiais por onde passamos. Era ornada com obras de artistas importantes como Rembrandt, Hubert Robert, Greuze…, além dos mestres russos, que, após a Revolução, foram confiscados pelo Estado e incluídos na pinacoteca do Hermitage e do Museu Russo (ao passear pelo Palácio Yussupov, está assinalado onde as obras de arte originalmente estavam penduradas).

Escadaria de parada - Palácio Yussupov - São Petersburgo

Escadaria de parada – Palácio Yussupov – São Petersburgo

Escadaria de parada - Palácio Yussupov - São Petersburgo

Escadaria de parada – Palácio Yussupov – São Petersburgo

A família Yussupov era tão rica, que eles tinham um teatro – esplêndido – dentro da sua casa. Regularmente, ainda são apresentados concertos, óperas, ballets e peças de teatro. Informem-se na versão russa da página do Palácio Yussupov, ou com o concierge do hotel.

Teatro - Palácio Yussupov  - São Petersburgo - Fonte http://www.saint-petersburg.com/palaces/yusupov-palace/

Teatro – Palácio Yussupov – São Petersburgo – Fonte http://www.saint-petersburg.com/palaces/yusupov-palace/

Todavia a história do palácio – e consequentemente da família – ficou internacionalmente conhecida por conta da figura do último príncipe da dinastia a viver em solo russo, Félix Felixovitch Yussupov e por ter sido o local, em cujo porão o místico, monge louco, Grigori Rasputin fora assassinado pelas mãos do próprio Príncipe Félix, auxiliado por outros amigos aristocratas.

Rasputin foi um místico nascido nos confins da Sibéria, que caiu nas graças da família imperial por seus supostos poderes mágicos e de cura. Rasputin ganhou fama entre a nobreza e a alta burguesia da capital e de Moscou por seus já citados pretensos dotes. Esses dons raputinescos chegaram aos ouvidos dos Romanov, que lutavam para encontrar uma cura para o tsarevitch Alexei, que sofria de hemofilia, doença hereditária presente em diversos membros de sua família, inclusive na sua bisavó, a Rainha Victoria, da Inglaterra. Reza a lenda que a czarina Alexandra ficava particularmente impressionada com o “dom” do Rasputin, concedendo-lhe diversas benesses. Coincidência ou não, aparentemente quando o místico era chamado para assistir o pequeno Alexei em suas crises, o menino melhorava. Esta relação bizarra fez com que Rasputin alcançasse uma influência intocável perante o czar e, sobretudo, perante a czarina.

Rasputin não era das pessoas mais éticas que existiram no mundo – inclusive, ele chegou a fazer alusões públicas de que era amante da czarina e das princesas imperiais, o que historicamente ficou comprovado de que não foi verdade. Então, utilizou-se de sua influência para conseguir privilégios odiosos, gerando uma forte ojeriza por parte da alta sociedade imperial, inclusive dos Yussupov. No mesmo contexto, ele foi envolvido na suspeita de incentivar a czarina, que era alemã por nascimento, num suposto pacto com a Prússia durante a Primeira Guerra Mundial, que desagradaria os demais demais aliados da Rússia na Tríplice Entente (França e Inglaterra), bem como a própria elite imperial.

Por sua vez, a figura do Príncipe Félix Yussupov também era bastante controvertida. Bissexual, ele costumava circular pelos salões travestido de mulher, em plena Rússia da Belle Époque. A despeito dessa característica, casou-se com a Princesa Irina da Rússia, sobrinha única do czar Nicolau II. Sua fortuna era imensa, tanto que era considerado o homem mais rico do Império (se Nicolau II foi considerado o monarca mais rico a ter reinado na Europa, fico imaginando o que não seria a fortuna do Príncipe Félix Yussupov se ele era ainda mais rico do que o Imperador).

Príncipe Felix Felixovich Yusupov - fonte http://en.wikipedia.org/wiki/Felix_Yusupov

Príncipe Felix Felixovich Yusupov – fonte http://en.wikipedia.org/wiki/Felix_Yusupov

Pois bem, em dezembro de 1916, o Príncipe Felix convidou o Rasputin para ir ao seu palácio nas margens do rio Moika, enganando-o ao dizer que ele teria uma reunião secreta com uma dama da sociedade petersburguense. Assim, ele foi atraído para os porões do palácio, em uma sala à prova de som, onde lhe foram oferecidos biscoitos envenenados com cianeto. Só que, como Rasputin era um homem enorme e forte, o veneno não estava fazendo efeito, obrigando o Príncipe Félix e a seus comparsas a uma mudança de planos. Por conta desta circunstância, Rasputin foi baleado, mas ainda assim conseguiu fugir, sendo perseguido por Yussupov e os demais, quando foi novamente baleado nos jardins do palácio, onde veio a falecer. Seu corpo foi jogado no rio Neva e encontrado dias depois bastante mutilado, inclusive sua genitália supostamente avantajada havia sido decepada (na cidade, um museu especializado em erotismo alega possuir o “dito cujo” preservado no formol, pela internet, pode-se encontrar várias fotos do “artefato”).

Tanto o Príncipe Félix Yussupov quanto os demais partícipes do crime foram a julgamento e confessaram a prática delituosa. Mas, como sobrenome e influência eram – e ainda o são – mais importantes do que outras coisas, eles não foram condenados. O Príncipe Félix Yussupov, por exemplo, foi obrigado a se retirar da corte, uma espécie de exílio da alta sociedade.

Há uma exposição sobre a morte do Rasputin, que estava fechada quando visitamos o museu.

Informações úteis

O museu fica em uma região de São Petersburgo pouco acessível por transporte público, então, nós acabamos indo de taxi e voltando a pé, passeando, parando aqui e ali…

Se não me engano, o horário de visitação começa às 10:30 AM (acho que o museu não abre às segundas-feiras), mas é melhor confirmar com o concierge do seu hotel, pois o site  é um lixo!

A bilheteria fica num quiosque separado, fora do museu (do lado esquerdo) e, aparentemente, ninguém fala outro idioma que não seja o russo. Aqui foi um dos poucos lugares onde a fama de grosseiros e mal educados dos russos se confirmou. Os funcionários desse museu são estúpidos e antipáticos, pelo menos com estrangeiros. A única exceção foi a vendedora da lojinha de souvenirs, muito gentil!

A instituição é visitada principalmente por russos e, portanto, é mais voltada para o turismo interno. Aqui nós implicamos com um homem fedorentíssimo, que tirava foto de tudo quanto é coisa, seja bonita ou feia, desde uma bela escultura a uma xicrinha branca e quebrada sem importância. Parecia que estava preparando um catálogo do museu, só que atrapalhava os outros, inclusive os companheiros da própria excursão, ele se manifestava de forma grosseira com todo mundo. Nós o apelidamos “carinhosamente” de “Katinguelê” e, sempre que podíamos, estragávamos as fotos que ele tentava tirar.

O ingresso do museu dá direito a um famigerado audioguia.

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Sobre andrerj75

Eu me chamo André. Sou morador do Rio de Janeiro. Desde pequeno, fui acostumado a viajar com os meus pais para países diferentes e a apreciar as mais diversas expressões artísticas e culturais, o que mantive de bom grado já adulto. Também, desde pequeno, ganhei um fascínio pelo estudo de História, que se acirrou à medida que os anos foram passando. Nesse contexto, sou frequentemente abordado por amigos e por conhecidos - às vezes até por pessoas estranhas - pedindo dicas de viagens e solicitando que eu tente organizar pequenos roteiros para ajudá-los em suas férias. Resolvi unir o útil ao agradável e dei início a este blog. Escreverei sobre as minhas viagens na tentativa de passar as minhas impressões sobre os lugares que conheci. Na medida do possível, darei dicas de hotéis, de restaurantes e de lugares para passear. Não tenho qualquer compromisso com a cronologia, escreverei sobre o que der vontade. Agradeço a participação de todos!
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2 respostas para São Petersburgo – Palácio Yussupov

  1. K disse:

    hahaha Katinguelê foi ótimo!!
    Adorei saber a historia de Raputin, sempre ouvi minha mae falar dele como um cara ruim mas nunca soube quem era realmente.
    Bjs

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