São Petersburgo – Museu Russo

Como os relatos sobre São Petersburgo estão chegando ao final, não poderia deixar de fora o Museu Russo, que, como bem sugere o seu nome, é especializado nas artes plásticas russas.

Museu Russo - Prédio Principal - Mikhailovsky Palace - São Petersburgo

Museu Russo – Prédio Principal – Mikhailovsky Palace – São Petersburgo

Trata-se de um complexo de prédios históricos que abrigam a maior coleção de artes plásticas russa no mundo inteiro, desde os primórdios até os dias atuais. Lá você encontrará desde pinturas, esculturas até artes gráficas, arte decorativa, arte sacra…

A sua “ala” principal fica no Palácio Mikhailovsky, e ele foi fundado pelo último czar, Nicolau II, no final do século XIX, para abrigar peças de origem russa que anteriormente estavam no Hermitage, nos palácios reais, que foram doadas por particulares…

O Museu se estende por outros prédios, como o Castelo Mikhailovsky, o Palácio de Mármore, o Palácio Stroganov…, mas, se você for passar pouco tempo na cidade, vá ao prédio principal no Palácio (atenção, não confundir com o castelo) Mikhailovsky.

Eu tomei conhecimento do Museu Russo por conta de uma exposição que foi apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo (acho que veio para o CCBB do Rio também), sobre o Museu Ludwig, no início de 2014. Trata-se de um museu dentro do Museu Russo. O Museu Ludwig fica no Palácio de Mármore e abriga as obras doadas pelo casal alemão Peter e Irene Ludwig para a instituição petersburguense. O Museu Ludwig possui em seu acervo obras de Andy Warhol, Basquiat e vários outros artistas do século XX… Foi uma mostra do CCBB que, na minha opinião, não foi tão bem prestigiada pelo público, nem divulgada pela imprensa. Coisas do Brasil… Mas ela acirrou a minha vontade de conhecer o museu.

Não serei pretensioso em dizer que tinha conhecimento de arte russa, pois não tinha e ainda não tenho. Já ouvira falar em Ilya Repin, em Kandinsky, em Malevich, em Chagall, já tinha visto telas do Aivazovsky no Palácio Dolmabahçe, em Istambul, na Turquia, mas o meu conhecimento de arte russa era pontual e parava realmente por aí.

Nesse ponto, a gente percebe como as políticas anticomunista ocidental e anti-ocidental dos soviéticos foi absolutamente deletéria em termos culturais. Olha que eu tive uma oportunidade diferenciada nesse sentido, por ter vivido criança na Europa ocidental e por meus pais serem pessoas até um pouco paranoicas na tentativa de incutir cultura aos filhos, mas não lembro de nenhuma exposição sobre nenhum artista plástico russo, principalmente de arte mais acadêmica, em Paris, Londres, Munique, Madrid… quando lá estivemos nos anos 80. O único artista efetivamente difundido era o Marc Chagall.

O que eu estou querendo dizer é que o Museu Russo – e também seu “par” em Moscou, a Galeria Tretyakov – por um lado, acabam sendo instituições até mais interessantes do que os famosos Hermitage e Museu Púshkin, por conta da novidade de seu acervo para nós, ditos ocidentais.

O museu cobrava um valor diferenciado para fotografar lá dentro, o que não nos interessou, como já expliquei no blog, fotos de quadros normalmente ficam muito ruins e até sem sentido, por isso, preferimos comprar os catálogos e, assim, ajudar na subsistência da instituição. De qualquer maneira, vou tentar selecionar na internet fotografias de algumas das obras de que mais gostei, ou que sejam mais representativas do museu, sem infringir nenhum direito autoral (todas as imagens foram retiradas da versão inglesa do site Wikipedia, no verbete dos respectivos artistas ou quadros):

Os últimos dias de Pompéia - Karl Bruillov - Museu Russo - São Petersburgo - fonte http://en.wikipedia.org/wiki/The_Last_Day_of_Pompeii

Os últimos dias de Pompéia – Karl Briullov – Museu Russo – São Petersburgo

Pedro, o Grande, interrogando o tsarevitch em Peterhof - Nicolai Ghe - Museu Russo - São Petersburgo

Pedro, o Grande, interrogando o tsarevitch Aliexei no Peterhof – Nicolai Ghe – Museu Russo – São Petersburgo

"Barge Haulers at the Volga" / "Içadores da Barcaça no Volga" - Ilya Repin - Museu Russo - São Petersburgo

“Barge Haulers at the Volga” / “Içadores da Barcaça no Volga” – Ilya Repin – Museu Russo – São Petersburgo

A Serpente de Bronze - Fyodor Bruni - Museu Russo - São Petersburgo

A Serpente de Bronze – Fyodor Bruni – Museu Russo – São Petersburgo

A Nona Onda - Aivazovsky - Museu Russo - São Petersburgo

A Nona Onda – Aivazovsky – Museu Russo – São Petersburgo

"The Mowers" - Grigoryi Myasoyedov - Museu Russo - São Petersburgo

“The Mowers” – Grigoryi Myasoyedov – Museu Russo – São Petersburgo

Retrato de Ida Rubinstein - Valentin Serov - Museu Russo - São Petersburgo

Retrato de Ida Rubinstein – Valentin Serov – Museu Russo – São Petersburgo

"O Banho do Cacvalo Vermelho" - Petrov Vodkin - Museu Russo - São Petersburgo

“O Banho do Cavalo Vermelho” –  Kuzma Petrov Vodkin – Museu Russo – São Petersburgo

O Círculo Preto - Kazimir Malevich - Museu Russo São Petersburgo

O Círculo Preto – Kazimir Malevich – Museu Russo São Petersburgo

Infromações práticas

O Museu Russo fica no nº 4, Inzhenernaya ulitsa (Metro – Gostiny Dvor, Nevsky Prospekt) fecha às terças-feiras, diferentemente da maioria dos museus russos que não abre às segundas-feiras. O tempo de permanência dependerá do seu interesse. Nós ficamos umas 4 horas lá dentro e não vimos tudo. Eu poderia ficar dias lá dentro.

Não vimos nenhuma cafeteria lá dentro e estávamos azuis de fome quando saimos.

Outro ponto interessante a ser enfatizado é que o Museu Russo não é quase visitado por estrangeiros, apesar de ficar lotado de russos. Por conta desta situação, NINGUÉM fala inglês, francês, português, italiano ou alemão – suponho que também não falem aramaico, latim, sânscrito… Nem nos quiosques de souvenirs se produz qualquer som fora do idioma russo. A comunicação foi feita com base na máquina calculadora: perguntávamos quanto custava e a vendedora digitava o preço na maquininha. Detalhe: os funcionários do museu também não concorrem com a Sandra Bullock para o posto de “Miss Simpatia”.

Aqui aconteceu mais uma estorinha que ilustra bem a situação. Na chapelaria, fomos obrigados a deixar nossos casacos e a mochila (bem grande) com os objetos que usamos durante o dia. Ao chegarmos ao depósito, entregamos os nossos pertences a uma senhora “fortezinha” com um cabelo bem preto adornado por um topete, em cujo interior certamente havia uma armação para dar volume. Quando ela sentiu o peso da mochila, ela disse algo que, ao nosso ouvido, soou assim: “drvjdá jvrd, cravdi parsvo…”, uma frase longa, basicamente composta por fonemas consonantais que não tínhamos a menor noção do que se tratava (ela podia estar sendo educadíssima ou nos dizendo bons palavrões). A velha fazia uma cara aborrecida e passava a mão na lombar, indicando ter problemas de coluna, determinando que um de nós fizesse o esforço de colocar a mochila no armário (trabalho que recaiu sobre a alma branca e iluminada que, para a minha sorte, me atura na vida e nas viagens). Nós caímos na gargalhada na mesma hora!

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Sobre andrerj75

Eu me chamo André. Sou morador do Rio de Janeiro. Desde pequeno, fui acostumado a viajar com os meus pais para países diferentes e a apreciar as mais diversas expressões artísticas e culturais, o que mantive de bom grado já adulto. Também, desde pequeno, ganhei um fascínio pelo estudo de História, que se acirrou à medida que os anos foram passando. Nesse contexto, sou frequentemente abordado por amigos e por conhecidos - às vezes até por pessoas estranhas - pedindo dicas de viagens e solicitando que eu tente organizar pequenos roteiros para ajudá-los em suas férias. Resolvi unir o útil ao agradável e dei início a este blog. Escreverei sobre as minhas viagens na tentativa de passar as minhas impressões sobre os lugares que conheci. Na medida do possível, darei dicas de hotéis, de restaurantes e de lugares para passear. Não tenho qualquer compromisso com a cronologia, escreverei sobre o que der vontade. Agradeço a participação de todos!
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