São Petersburgo – Informações Práticas

Para encerrar o passeio a São Petersburgo, ficou só faltando mencionar as questões práticas da viagem.

Tempo de permanência: nós ficamos praticamente 5 dias inteiros na cidade, fizemos muita coisa e não foi corrido. Tudo bem, que nossa chegada a São Petersburgo aconteceu no fim da tarde, mas eu ainda conto como um dia na cidade, visto que, no início de maio, o sol se punha depois das 22h, dando tempo de sobra para nós darmos uma primeira flanada pelas ruas barrocas do centro histórico. Turistamos bastante, mas deixamos de fazer muitos passeios também. São Petersburgo entra no rol de cidades como Paris, Londres, Nova Iorque, Berlim e Moscou, que são inesgotáveis. Então, para fazer os passeios com calma, o ideal seria ficar uma semana, e considero 5 dias um tempo mínimo de estadia.

Climamais louco, impossível. Em termos de umidade, parece uma versão fria do Rio de Janeiro, mas com mudanças imprevisíveis. Cansamos de acordar com sol, no meio do dia chover canivetes, aparecer novamente o sol em meio à chuva, e o dia finalizar com um céu limpo ou desabando. Fazia frio em maio, não pegamos neve nem degelo de neve. Usamos casacos grossos todos os dia. Melhor vestir-se em camadas.

Hotel: nós nos hospedamos no Hotel Petro Palace, que fica na úlitsa Malaya Morskaya (улитса Малая Морская), a dois passos tanto do Nevsky Prospekt quanto da Catedral de Santo Isaac.

É um hotel bem grande, 4 estrelas, com os serviços condizentes com um estabelecimento dessa categoria, nada além. Quartos grandes, banheiro do quarto limpo, bom café da manhã, excelente serviço de concierge, WI-FI grátis, água mineral grátis também. A localização realmente é o ponto alto do hotel. Ele me havia sido indicado por um amigo que aqui se hospedara ao visitar a cidade em 2010. Desde então, o hotel passou por uma grande reforma e os quartos estão bem decorados. O único senão é que as paredes divisórias entre os dormitórios, aparentemente, são muito finas. Numa das noites, estava dormindo placidamente, depois de um dia cheio, quando comecei a escutar um casal num momento íntimo. A mulher gritava muito alto. Achei que fosse passar, mas nada. Eu estava exausto, mas não conseguia pegar novamente no sono, pois o vazio do quarto amplificava o som do “embate”. Olhei no relógio e eram 3 da manhã, contei 15 minutos esperando que eles parassem, tentando também identificar de onde vinha o som (sou péssimo para esse tipo de reconhecimento) e não aguentei, incorporei o espírito da D. Pombinha Abelha, da novela Roque Santeiro, levantei-me e fui socar forte a parede do quarto. Eles pararam. No dia seguinte, fui questionado de maneira incrédula: “eu sonhei ou vi você se levantando para bater na parede?”. Essa não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece, mas isso é uma outra história.

Em relação aos hotéis na Rússia, tanto o meu amigo que havia viajado para lá em 2010, quanto a agência de viagens, e também outros viajantes na blogsfera, haviam sido bastante claros ao informar que no país não existe meio termo: ou você se hospeda num hotel de luxo, ou você se hospeda numa espelunca. Eu gosto de hotel, não posso mentir, mas não acho inteligente gastar dinheiro que poderá fazer falta para ficar luxando pelo mundo. O problema é que eu não tenho como ficar em hotel sem elevador ou sem banheiro no quarto. Numa cidade como São Petersburgo – e Moscou também – isso acaba se tornando um problema. Banheiro no quarto não é incomum, mas elevador, aparentemente só existe em hotéis de categoria superior. Eu até consigo me arrastar lentamente escada acima (escada abaixo é bem mais complexo), mas fazer isso várias vezes por dia (como o hotel era bem localizado, sempre dávamos uma paradinha durante o dia para pegar / deixar um casaco, ir ao banheiro, esticar as pernas um pouco) ou segurando malas, inviabiliza a minha estadia a falta de elevador ou de quarto no rés do chão. Fazendo uma pesquisa no Tripadvisor e no Booking, os hotéis melhores qualificados (com notas acima de 8,5 – não sei se vale à pena um tópico de como escolher hotéis) eram estupidamente caros. Os hotéis mais em conta por preço eram mal qualificados e havia aqueles com boa qualificação, mas de localização distante, cujo preço da diária era R$ 30,00 e R$ 50,00 mais barato do que os melhores localizados, não valendo à pena… Acabamos optando pelos hotéis caros.

Hoje em dia, eu talvez fizesse algo diferente. Retornaria fácil ao Hotel Petro Palace (verifiquem a tarifa do próprio site do hotel antes de fecharem com agência, Booking… – no nosso caso, eles tinham o melhor tarifário), mas não me limitaria a ele, caso o preço fosse absurdo, e teria uma gama um pouco mais ampla em relação à localização da hospedagem. Deixem-me tentar explicar a metodologia. Ao escolher o hotel, eu optaria por:

São Petersburgo - Centro Histórico - Fonte: http://www.polina.pl.ru/big_map.jpg

São Petersburgo – Centro Histórico – Fonte: http://www.polina.pl.ru/big_map.jpg

1) Ficar no Centro Histórico, ou seja, na ilha no meio da cidade entre o rio Neva (o mais largo, ao norte) e o rio Fontanka (o segundo mais largo, ao sul);

2) Ficar próximo ao Nevsky Prospekt (sua vida na cidade passará por ele, independentemente de qualquer coisa);

3) Em termos de delimitação de espaço no Centro Histórico, definiria os meus limites desta forma: a oeste do Nevsky Prospekt, não ultrapassar a úlitsa Gorokhovaya (улитса Горохвая); e, a leste, não ir além do braço do rio Moika que altera o seu curso para o sul (na proximidade da Catedral de São Salvador sobre o Sangue Derramado). Quanto mais ao norte você se hospedar, mais próximo ficará do Nevsky Prospekt. Se você for além desses limites sugeridos, saiba que terá que andar muito e que o retorno ao hotel após um jantar ou um dia de andanças pode ser desgastante e você fatalmente se aborrecerá com taxis, pois as estações de metrô não são tão próximas assim. Saiba também que a região a leste do Nevsky Prospekt é bem mais posh do que o lado oeste

4) Não escolheria um hotel na região de Kolomna ou do Teatro Mariinsky por conta das dificuldades de transporte. Também não me hospedaria na região da Praça Sennaya, por mais fanático que você seja pela literatura do Dostoiévski, o local tem metrô, mas não é nem bonito, nem tão bem frequentado. Evitaria ficar na ilha Vassilevsky ou nos lados de Petrodvorets e Vyborg, isto porque, por mais que a ilha e Petrodvorets sejam pitorescos, a maior parte das atrações está na margem oposta do rio Neva (talvez sejam lugares bons para se morar, mas não para o turista), por sua vez, Vyborg é a maior região da cidade, as chances de você se meter numa furada são gigantescas.

O que eu estou querendo dizer é que não há necessidade de gastar tanto em hospedagem, nem de ficar limitado ao rayon ultrachique da cidade.

Transporte: como disse no último post, o metrô em São Petersburgo é bastante adaptado ao turista, indicações em alfabeto latino, informações em inglês…, todas as estações aparentemente têm escada rolante e se você não utilizar no horário de pico, é bastante tranquilo.

Por outro lado, tirando as visitas à Fortaleza de São Pedro e Paulo (dá para ir caminhando) e eventualmente uma ida ao Mosteiro de Alexandre Nevsky, à Catedral de Smolny e à Duma e, talvez, à região do Teatro Mariinsky e da Catedral de São Nicolau dos Marinheiros (a estes últimos, também é possível ir caminhando), você realmente não precisará de outro meio de transporte que não seja os seus lindos pezinhos.

Nós utilizamos o metrô só uma vez (mais para visitá-lo do que qualquer outra coisa) e retornamos da primeira visita ao Hermitage  de taxi, acompanhados da guia. Pelo que entendi, você liga para o número da cooperativa, informa o destino e eles lhe passam um preço cheio. Como nós contratamos guias e estávamos de carro na maioria dos passeios, não passamos por nenhum perrengue de ter que acenar a um taxi na rua, fazer mímica ou de pechinchar valores com a ajuda de um bloquinho ou de uma calculadora de celular. Aparentemente, não são mais tão comuns os “táxis piratas”, ou seja, a complementação de renda feita por qualquer proprietário de carro, que, em tese, pode pegar qualquer pessoa na rua e fazer uma corrida paga.

Restaurantes:

1) Gogol (Гогол), úlitsa Malaya Morskaya, 8 – Foi uma sugestão dos recepcionistas do hotel e foi, sem sombra de dúvida, o melhor restaurante que fomos na Rússia. Não é baratinho, mas é pagável. Nós pedimos um strogonof (bastante elogiado) e um pelmeni, que é uma espécie de ravioli russo, delicioso (por sinal, por que se lega aos italianos a invenção da massa recheada? Eu comi pratos do gênero na comida turca, georgiana, polonesa…). A refeição é acompanhada por uma moça que toca piano e por um passarinho que fica cantando junto com o instrumento. Todas as pessoas falavam inglês e possui cardápio na língua da Jane Austen.

2) Russian Empire, Nevsky Prospekt, 17 – Piège à touriste! Certamente foi restaurante mais caro a que já fui em toda a minha minguada existência. Mas foi proposital. Eu queria conhecer o palácio, inclusive por ter sido o lugar onde foi inventado o filé strogonof. O restaurante é lindo, decoração palaciana, comida excelente, mas tive que financiar a conta em suaves prestações pela Caixa Econômica Federal…

O prato foi feito para o Conde Stroganov. Na velhice, o conde não conseguia mais comer a carne assada ou grelhada por conta dos dentes fracos e, por isso, foi confeccionado um prato de carne cozida, quase desmanchando, misturada com creme azedo e acompanhado de purée de batata inglesa.

Como vocês podem perceber, na Rússia, o strogonof é normalmente acompanhado de purée e é feito com carne de veado! UMA DELÍCIA!!!

3) Café Bajé (Кафе Баже), Kirpichniy perelouk, 3  – Muito boa comida georgiana a ótimos preços, pratos bem servidos! Fomos duas vezes, primeiro, porque ficava perto do hotel e também porque abria 24 h por dia, mesmo nos feriados. Os funcionários falam inglês.

A comida georgiana é deliciosa. Tem influência das culinárias russa e do Oriente Médio. Experimentem o Kachapuri, um pão coberto com queijo, simplesmente divino!

4) Garçon (Гарсон), 20, úlitsa Malaya Morskaya – bistrot francês bem cool que dá para “fazer a leve” pedindo uma saladinha ou um croque monsieur. Fala-se inglês. Preços decentes.

5) Schastye (Café e Confeitaria) – 24, úlitsa Malaya Morskaya – Fomos no último dia tomar um café enquanto aguardávamos o nosso translado para a estação ferroviária. Ambiente posh, não achei excepcionalmente caro, mas também só fizemos um lanchinho, que estava muito bom. O chocolate que eles vendem é ótimo e pode servir como souvenir. Fala-se inglês.

5) Tryn Trava – (Трын Трава) – 9, úlitsa Malaya Konyushennaya – o restaurante mais simples a que fomos, frequentado por famílias russas. Experiência interessante. Há opções de buffet (que parece ser a melhor opção) e à la carte (que nós pedimos). Não é um restaurante chique e, por isso, foi muito legal! Foi a indicação de uma das guias! Nenhum funcionário fala inglês, mas todos têm boa vontade em servir.

6) Timecafe Miracle (Café) – Foi sugestão da Anna Rudaya. O estabelecimento parece um grande lounge, com sofás, livros, mesas, instrumentos musicais (que você pode usar), espalhados em diversos ambientes… A proposta é pagar por hora. Isso mesmo, você escolhe o chá as tortas (deliciosas, de maçã, mirtilho, amora, cereja…) e consome o quanto quiser. Você pagará um valor pelo tempo em que você permanecer no lugar. Ambiente descontraído e frequentado por estudantes e jovens. Ponto alto da viagem!

Nesse café, nos aconteceu uma das histórias mais inusitadas da viagem. Estávamos muito bem conversando, quando começamos a escutar uma voz feminina cantando em português. Começamos a prestar atenção e percebemos que era uma música da Xuxa (“Soco, bate, vira”). Começamos a rir e a Anna nos perguntou o porquê de nossa risada. Quando explicamos, inclusive mencionando tratar-se de uma cantora infantil, ela nos disse que essa música fazia sucesso nas rádios russas. Bizarro!

Provavelmente, deve haver gente falando inglês, como a Anna nos acompanhou, não posso confirmar esta informação. Foi aqui que eu li um quadro negro e me dei conta de que não entendia patavina do russo escrito em letra cursiva.

No próximo post farei a integração São Petersburgo – Moscou ao escrever sobre o belíssimo metrô das duas cidades.

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Sobre andrerj75

Eu me chamo André. Sou morador do Rio de Janeiro. Desde pequeno, fui acostumado a viajar com os meus pais para países diferentes e a apreciar as mais diversas expressões artísticas e culturais, o que mantive de bom grado já adulto. Também, desde pequeno, ganhei um fascínio pelo estudo de História, que se acirrou à medida que os anos foram passando. Nesse contexto, sou frequentemente abordado por amigos e por conhecidos - às vezes até por pessoas estranhas - pedindo dicas de viagens e solicitando que eu tente organizar pequenos roteiros para ajudá-los em suas férias. Resolvi unir o útil ao agradável e dei início a este blog. Escreverei sobre as minhas viagens na tentativa de passar as minhas impressões sobre os lugares que conheci. Na medida do possível, darei dicas de hotéis, de restaurantes e de lugares para passear. Não tenho qualquer compromisso com a cronologia, escreverei sobre o que der vontade. Agradeço a participação de todos!
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