Moscou – A capital não é apenas a Praça Vermelha…

…mas a Praça Vermelha, meu amigo, é muito mais do que você possa imaginar!

Se eu tivesse que fazer uma lista das praças mais bonitas do mundo, pela minha ordem de preferência, no dia 28 de outubro de 2014, a lista ficaria mais ou menos assim:

1) Praça Vermelha, Moscou, Rússia;

2) Plaza Mayor, Madrid, Espanha;

3) Pariser Platz, Berlim, Alemanha;

4) Praça do Palácio de Inverno, São Petersburgo, Rússia;

5) Praça do Commércio, Lisboa, Portugal;

6) Praça Tiradentes, Ouro Preto, Brasil;

7) Place Vendôme, Paris, França;

8) Plaza de los Congresos, Buenos Aires, Argentina;

9) Place Dauphine, Paris, França;

10) Hipódromo, Istambul, Turquia.

(Obviamente poderia incluir praças em Roma, mas estive na cidade quando era muito pequeno e não lembro direito; Paris tem diversas outras praças incríveis; no Brasil, a Cinelândia e a Praça XV, no Rio, a Praça Barão de Campo Belo, em Vassouras, são também especiais).

Desde pequeno, eu tinha curiosidade em conhecer Moscou, após me deparar com uma imagem da Catedral de São Basílio em um livro de fotos com que a minha mãe havia me presenteado, quando eu devia ter por volta dos 6 anos de idade. O livro informava equivocadamente que a catedral era o próprio Kremlin, erro bastante comum, diga-se de passagem.

Catedral de São Basílio - Moscou

Catedral de São Basílio – Moscou

Catedral de São Basílio - fachada sul - Moscou

Catedral de São Basílio – Moscou

Catedral de São Basílio - Moscou

Catedral de São Basílio – Moscou

A imagem ficou no meu imaginário durante mil anos – sou milenar, lembrem-se – idealizada, ficava fantasiando o que não seria estar numa daquelas torres (infelizmente não dá para subir, pois cada uma abriga a cúpula de uma capela)… Os séculos passaram e os sonhos acabam se realizando. E aí é que vem a surpresa: a Praça Vermelha é muito mais bonita do que eu poderia imaginar. Isso me surpreendeu, porque havia visto fotos da viagem a Moscou de um amigo e a cidade, naquelas imagens, parecera um tanto quanto sem graça. Como poderia estar tão enganado! Moscou é linda e é única! A sua mais famosa praça está entre os lugares mais absurdamente impactantes que eu já conheci.

Por incrível que possa parecer, nós acabamos não entrando na Catedral de São Basílio. Antes que eu seja violentamente criticado, esclareço que não sou faço o gênero de pessoa boba que não gosta de conhecer os pontos turísticos famosos dos lugares que visita. Muito pelo contrário, acredito que se você não conhece os monumentos emblemáticos de um lugar, forçosamente, você não estará sabendo viajar. Querer conhecer lugares mainstream, frequentados pela nata da população local pode até ser interessante, mas, para mim soa apenas blasé, se você não visitou o básico. Obviamente que muitos desses marcos turísticos podem decepcionar (particularmente acho que subir a Torre Eiffel – principalmente até o último andar – uma perda de tempo, a região em que ela fica é linda, mas a subida é decepcionante, pois Paris é uma cidade de prédios baixos; a Torre de Londres é uma passeio bobo, só vale à pena se você estiver acompanhado por crianças; subir a Estátua da Liberdade também não me diz nada, embora o passeio de barco e ver a Estátua de perto seja legal; o Cristo Redentor, no Rio, eu acho um show de horrores…) e foi justamente por conta dessa possibilidade de não corresponder às expectativas, que resolvemos não entrar na Catedral de São Basílio. Li em vários blogs que ela não é tão interessante por dentro e a nossa guia nos advertiu de que a circulação interna na igreja era bastante complicada, com degraus altíssimos e irregulares, o que poderia causar problemas… Confesso que foi uma decisão difícil, mas acabamos preferindo manter a imagem fantástica do exterior da igreja e ficarmos com uma lembrança positiva do que nos decepcionarmos. Certamente, iremos numa próxima visita.

Ao contrário do que podemos imaginar a Praça Vermelha foi assim nomeada não por conta do enorme muro de tijolos vermelhos que cerca o Kremlin. Na verdade, a cor vermelha, krasni (красный) em russo, de onde advém o seu nome, Krasnaya ploshchad (Красная площадь), também é sinônimo de bonito. Esta explicação nos foi fornecida pela guia Elena Bereznikova, indicada pela agência Tchayka (de todas as guias que tivemos, era a mais experiente, francês impecável, tendo nos fornecido informações primorosas sobre absolutamente tudo – literatura, arquitetura, religião, URSS, Rússia atual -, ela é fluente em francês, espanhol e inglês, mas ela prefere não acompanhar turistas anglófilos). Acredito que a expressão não seja mais utilizada no russo atual, pois, na aula de russo e nos dicionários, ensina-se que a palavra russa para bonito é krassívi (красивый). Seja qual for a acepção, o nome está absolutamente adequado à localidade.

Praça Vermelha - Museu de História Russa (ao fundo) e o GUM (à direita).

Praça Vermelha – Museu de História Russa (ao fundo) e o GUM (à direita).

Praça Vermelha - Catedral de São Basílio (ao fundo) e o Kremlin (à direita)

Praça Vermelha – Catedral de São Basílio (ao fundo) e o Kremlin (à direita)

A Praça Vermelha é uma extensa área retangular, limitada, ao sul pela Catedral de São Basílio, ao norte, pelo Museu de História Russo, a oeste, pelo Kremlin e, a leste, pelo GUM. Além destes prédios, encontra-se em suas imediações o túmulo do Lênin (infelizmente fechado por conta do feriado do Dia da Vitória), as Portas da Ressurreição e a Catedral de Nossa Senhora de Kazan (ambas são memoráveis reconstruções, já que os edifícios “originais” foram demolidos por Stalin, na década de 30 do século XX).

Porta da Ressurreição - Praça Vermelha - Moscou

Portas da Ressurreição – Praça Vermelha – Moscou

Praça Vermelha - Museu de História Russo e Portas da Ressurreição

Praça Vermelha – Museu de História Russo e Portas da Ressurreição

Catedral Nossa Senhora de Kazan - Praça Vermelha - Moscou

Catedral Nossa Senhora de Kazan – Praça Vermelha – Moscou

Pelo que a guia nos contou, as Portas da Ressurreição (o nome é dado por conta do ícone da Ressurreição de Cristo, pendurado entre as duas portas) supostamente foram demolidas para dar passagem a tanques de guerra, durante as paradas militares, à Praça Vermelha (a ironia é que, após a sua reconstrução, em 1994-95, os tanques continuaram ingressando sem problemas no interior da Praça). A verdade é que a implosão de ambos os monumentos (portas e catedral) tem a ver com a ideologia ateia, pregada pelo Comunismo. Por mais que não compactue com religiões de um modo geral, acho de uma burrice sem tamanho a destruição de obras de arte por conta de motivações políticas ou religiosas. A reconstrução da Catedral de Nossa Senhora de Kazan, apesar de esteticamente bonita, apresenta problemas do ponto de vista histórico. Aparentemente, os soviéticos destruíram os esboços originais da igreja, então, apesar de externamente a estrutura da igreja estar correta, o seu interior é apenas muito bonito, mas não foi reconstruído em conformidade com o edifício original (inclusive não dá para saber se a iconostase é uma reprodução correta), uma pena! De qualquer maneira, recomendo sua visita (não demora muito tempo e é gratuito).

O GUM (ГУМ) atualmente é realmente um shopping de luxo. Originalmente era uma loja pertencente ao Estado soviético (o nome em russo é Государственный универсальный магазин, Gosudarstvennyi Universalnyi Magazinque significa Loja de Departamento Estatal) que vendia de tudo um pouco, roupas, comida… Confesso que fiquei um tanto quanto chocado quando adentrei seu interior. É muito sofisticado, muito bonito, mas muito caro e muito vazio. A ideia que eu possuía era absolutamente distinta. A imagem que me vinha à cabeça foi aquela passada pela escritora Zélia Gattai, em seu terceiro livro de memórias, “A Senhora Dona do Baile” (recomendo muito a leitura do livro inteiro, mas especificamente dos capítulos sobre a URSS, antes de viajar para Moscou), em que ela narra a sua experiência no GUM, onde comprou botas, casacos, chapéus e se meteu num divertido quiprocó, quando o Jorge Amado tentava comprar um pijama de mulher e era impedido por uma senhoras russas. Na minha cabeça, o GUM era um mercado popular coberto (um enorme Carrefour)… Não me decepcionei com o shopping de luxo, mas fiquei com a sensação de que estava mal vestido e não me senti confortável. Acabamos sentando no Café Armani, cujo terraço fica na Praça Vermelha, e tomamos um café caríssimo e comemos um briochinho bem burgueses. Lênin e Stalin devem se revirar nos túmulos. Nas imediações, na úlitsa Petrovka (улица Петровка), do lado do Teatro Bolshoi, existe uma outra loja de departamentos de luxo, que vende também grifes internacionais, o TSUM (ЦУМ), também caríssima e vazia.

GUM - Praça Vermelha

GUM – Praça Vermelha

Praça Vermelha - Catedral de São Basílio - vista do Café Armani

Praça Vermelha – Catedral de São Basílio – vista do Café Armani

Para encerrar este post, devo dizer que é OBRIGATÓRIO visitar a Praça Vermelha durante a noite. O visual é estonteante, o pôr-do-sol confere ao local uma atmosfera absolutamente inebriante.

Praça Vermelha - Catedral de São Basílio e Torre do Salvador (manhã)

Praça Vermelha – Catedral de São Basílio e Torre do Salvador (manhã)

Praça Vermelha - Museu de História Russo (manhã)

Praça Vermelha – Museu de História Russo (manhã)

Praça Vermelha - catedral de São Basílio (tarde)

Praça Vermelha – catedral de São Basílio (tarde)

Praça Vermelha - Mausoleu do Lênin e prédio do Senado (cúpula redonda atrás)

Praça Vermelha – Mausoleu do Lênin e prédio do Senado (cúpula redonda atrás)

Praça Vermelha - Museu de História Russo (pôr-do-sol)

Praça Vermelha – Museu de História Russo (pôr-do-sol)

Praça Vermelha - Museu de História Russo (pôr-do-sol)

Praça Vermelha – Museu de História Russo (pôr-do-sol)

Praça Vermelha - Museu de História Russo (noite)

Praça Vermelha – Museu de História Russo (noite)

A penúltima foto é o fundo de tela do meu celular! A profusão de fotografias aqui é impressionante. Por isso que eu acredito que valha à pena vir à Praça Vermelha com calma, tendo tempo suficiente para os registros fotográficos, mas também para apreciar a atmosfera do local, observar os prédios e as pessoas, verdadeiramente aproveitar… Eu poderia passar um dia inteiro ali facilmente. Gostaria de conhecê-la no inverno.

É muito bom realizar um sonho!

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Sobre andrerj75

Eu me chamo André. Sou morador do Rio de Janeiro. Desde pequeno, fui acostumado a viajar com os meus pais para países diferentes e a apreciar as mais diversas expressões artísticas e culturais, o que mantive de bom grado já adulto. Também, desde pequeno, ganhei um fascínio pelo estudo de História, que se acirrou à medida que os anos foram passando. Nesse contexto, sou frequentemente abordado por amigos e por conhecidos - às vezes até por pessoas estranhas - pedindo dicas de viagens e solicitando que eu tente organizar pequenos roteiros para ajudá-los em suas férias. Resolvi unir o útil ao agradável e dei início a este blog. Escreverei sobre as minhas viagens na tentativa de passar as minhas impressões sobre os lugares que conheci. Na medida do possível, darei dicas de hotéis, de restaurantes e de lugares para passear. Não tenho qualquer compromisso com a cronologia, escreverei sobre o que der vontade. Agradeço a participação de todos!
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9 respostas para Moscou – A capital não é apenas a Praça Vermelha…

  1. Kenia disse:

    Fotos incríveis!!! Amei!! Também sonho um dia conhecer Moscou já que esse ano não rolou pq meu namorado não conseguiu visto :-/ E concordo com vc, primeiro sempre os pontos turísticos principais da cidade! A verdade é que nem sempre vale à pena entrar em todas as igrejas, museus, torres… se for pra perder horas na fila então nem se fala. Nunca dá pra fazer tudo, a gente tem que ir escolhendo o que será mais proveitoso naquele momento e pronto. O bom disso é que se acontecer de voltar à cidade, haverá sempre coisas novas pra conhecer!
    Bjs

    Curtido por 1 pessoa

    • andrerj75 disse:

      Obrigado, Kenia.

      Moscou é incrível!

      Eles deram algum motivo para negar o visto?

      Beijos

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      • Kenia disse:

        Nada, na verdade nem responderam! Nos viajariamos em abril e ele pediu o visto bem na semana que começou a crise na Ucrânia e o governo polonês “atacava” a Russia em seus discursos e tals. Pedimos pra uma colega que trabalha na embaixada dar uma sondada no que tava acontecendo, mas nem ela conseguia saber algo.
        Foi uma pena não termos podido ir!

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  2. Olá André! Finalmente tive um tempinho pra vir por aqui! Das praças que você citou das que eu visitei achei todas adoráveis, e realmente a de Moscou é espetacular! Esse também é um dos meus passeios preferidos, sempre tento incluí-los quando dá! As Plazas de Armas na América Latina também são maravilhosas, principalmente as do Peru e as do México, não deixe de visitá-las!

    Infelizmente não entrei na Catedral de São Basílio, pois ela estava fechada, até queria fazer o passeio, talvez fique para uma próxima! Eu adorei o passeio por todo o perímetro da Praça Vermelha, estava um pouco frio no dia que eu a visitei e ainda por cima chovendo. Se por acaso algum dia eu volte a Moscou, vou preferir visitá-la no verão ou na primavera, queria muito visitar a cidade e São Petersburgo nas noites brancas!
    Adorei as suas fotos! Talvez no ano que vem já comece a falar sobre Moscou nos meus relatos, e gostei bastante do que você escreveu, principalmente do metrô moscovita! Muito obrigada pelas dicas!

    Sobre tirar o visto, tirei o do meu marido em setembro mesmo, na mesma semana da crise da Ucrânia, estava até preocupada se eles se negariam, mas saiu tudo tranquilo e foi até fácil, era só enviar os documentos pelo correio, pagar com o cartão de crédito, e esperar 3 dias úteis! Abraços

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    • Kenia disse:

      Seu marido é polones tb? Puxa que azar o nosso então!!!! A colega que deu uma sondada nos pedidos de visto disse que tava tudo parado e ela não conseguia sabe ro que acontecia, enfim a viagem ficou pra próxima 😦
      Bjs

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      • Olá Kenia! O meu marido é inglês, talvez por isso fosse mais fácil, uma pena você não ter conseguido! O México é um dos meus destinos preferidos, ainda quero ir na outra ponta do país, na península de Yucatán!

        Pelas notícias de hoje, talvez viajar a Cuba fique bem mais fácil e econômico, espero muito que a situação do povo cubano melhore! abraços

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    • andrerj75 disse:

      Kenia, se não me engano, o marido da Flávia é inglês (assim como você, somos amigos da blogsfera). Acredito que seja mais complicado tirar o visto a partir de um dos ex-integrantes da Cortina de Ferro do que de outros países – à exceção dos EUA, creio eu. O Leste Europeu é muito russofóbico, nos Bálticos, então…

      Flávia, lendo os seus posts, eu fiquei com muita vontade de conhecer o México e de conhecer Havana. Cada foto!

      Beijos

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  3. claudia rocha disse:

    Oi! Gostei de seu post.Gostaria de saber qual mês foi? Em setemnro como é o clima?

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